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Zezinho, traz o Maria Fumaça de volta, a economia de Porto Velho precisa

Maior carnaval fora de época do Norte movimentava economia da capital de Rondônia, que estagnou

Quem está na casa dos 35 anos lembra bem como era Porto Velho neste período de ano. Ia chegando maio, junho, a capital de Rondônia se preparava para receber as maiores bandas de axé do país, em um carnaval fora de época que só encontrava comparativo no CarNatal (RN) e no carnaval oficial de Salvador (BA). Asa de Águia, Olodum, Araketu, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Banda Eva, enfim, as grandes estrelas do circuito nacional de folia aportavam em Porto Velho no Maria Fumaça, e arrastavam multidões tanto da capital quanto dos estados vizinhos.

Vinha gente de Mato Grosso, Acre, Amazonas e de todo o interior do Estado para a maior festa popular do Norte do país, movimentando a economia da capital por 30 dias, tanto a formal (hotéis, restaurantes, lanchonetes) quanto a informal (ambulantes, camelôs, feirantes).

Na época, parte desses custos foram bancados com recursos públicos, deputados destinavam recursos, o governo pagava passagens, mas o retorno em impostos e receita nos cofres públicos era garantido. Não dava (como não dá até hoje) para pagar um evento desse porte sem o apoio do Estado. Mas, críticas vinham de todos os lados, os mais azedos resolveram que o circuito não podia ser na Jorge Teixeira, “atrapalha o caminho do aeroporto” diziam. O mesmo caminho que hoje é tomado por centenas diariamente fazendo caminhadas ou vendendo comida de rua, de domingo a domingo sem gerar um real sequer de receita aos cofres públicos. Colocaram o carnaval de rua para acontecer no Parque dos Tanques, um terreno abandonado sem nenhuma estrutura, vergonha até de trazer um “É o Tchan” mesmo decadente e colocar para tocar naquele lugar.

Outros alegavam que “dinheiro público não pode ser gasto com folia”, “deve ser investido em saúde”, o dinheiro nem foi para a saúde nem para a folia, foi parar no bolso de Batista e a quadrilha que ele sustentava. E Porto Velho parou.

Zezinho do Maria Fumaça, uma das figuras mais polêmicas, idealizador do fora de época e ‘trator” que fazia acontecer, chegou a ser preso e perdeu a vontade, com toda a razão, de seguir promovendo o evento. Atualmente se dedica a resgatar almas de apenados em uma igreja a qual integra, e a economia de Porto Velho segue estagnada e o tal “recurso público” não foi usado nem na saúde, nem na educação, nem em canto nenhum. É a tal da economia burra. O dinheiro fica parado porque “tem que economizar”, mas também não gira, não retorna, apenas está lá, parado.

Brasileiro quer que Caixa, Petrobrás e Banco do Brasil dêem lucro, mas esse ‘lucro’ não é revertido em benefícios à população. Os carnavais fora de época, tão criticados, claro, rendiam lucro a seus organizadores, mas era a forma mais rápida de retorno a uma cidade, cujo comércio atualmente depende único e exclusivamente da folha de pagamento do Estado. Se o salário do funcionalismo atrasar, Porto Velho quebra.

O Estado brasileiro costuma tratar empresário como bandido. O fora de época era viável, haviam erros, claro, mas poderiam ter sido corrigidos, teria sido mais sensato. Compensações, uma fiscalização mais apurada nos gastos dos recursos públicos repassados, uma melhor distribuição, uma verdadeira parceria entre o público e o privado. Mas no Brasil a gente tende a tirar até o último tostão do setor empresarial, depois a gente prende. Desemprega centenas em nome da “moralidade” e da “economia aos cofres públicos”. E o público fica sempre na torcida por dias melhores que nunca chegam…

E segue o bloco dos que não chegam a lugar nenhum.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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