Geopolítica

Tensão na Venezuela: Guaidó afirma ter apoio de militares para derrubar Maduro

Ao lado do também oposicionista Leopoldo López, autoproclamado presidente interino diz ter apoio de “valentes soldados” para fim da “usurpação” do poder. Governo denuncia tentativa de golpe

Em mensagem de vídeo acompanhado de vários militares dissidentes, o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta terça-feira (30/04) que militares deram “finalmente e de vez o passo” para acompanhá-lo e conseguir “o fim definitivo da usurpação” do governo de Nicolás Maduro. Enquanto isso, o governo chavista disse estar “enfrentando e desativando” um plano de golpe de “militares traidores”.

“Hoje, valentes soldados, valentes patriotas, valentes homens apegados à Constituição acudiram ao nosso chamado”, disse Guaidó num vídeo de três minutos divulgado no Twitter, aparentemente gravado pouco antes do amanhecer na base militar La Carlota, no leste Caracas. “O momento é agora. A cessação definitiva da usurpação começou hoje.”

“São muitos os militares. A família militar de uma vez [por todas] deu o passo. A todos aqueles que estão nos ouvindo: é o momento, o momento é agora, não só de calma, mas de coragem e sanidade para que chegue a sanidade à Venezuela. Deus os abençoe, seguimos adiante. Vamos recuperar a democracia e a liberdade na Venezuela”, disse o líder da oposição.

“As Forças Armadas tomaram a decisão correta e podem contar com o apoio do povo da Venezuela, o apoio da nossa Constituição, a garantia de que estão do lado certo da história. Hoje, como presidente da Venezuela, como legítimo comandante em chefe das Forças Armadas, convoco todos os soldados, toda família militar, a nos acompanhar nesta façanha como sempre fizemos, no marco da Constituição, no marco da luta não violenta”, afirmou Guaidó.

Na mensagem, Guaidó convocou às ruas todos os venezuelanos que se comprometeram nas últimas semanas a se manifestar para exigir a saída de Maduro.

“Povo da Venezuela, é necessário que todos saiamos às ruas, apoiemos a democracia e recuperemos nossa liberdade. Organizados e unidos, devemos nos deslocar às principais instalações militares. Povo de Caracas, todo mundo para La Carlota”, convocou Guaidó.

O ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, comunicou que o governo de Maduro está “enfrentando e desativando uma tentativa de golpe de Estado”.

“Informamos o povo da Venezuela que estamos neste momento enfrentando e desativando um pequeno grupo de militares traidores que se posicionaram no Distribuidor Altamira para promover um golpe de Estado e contra a Constituição e a paz da República”, disse o ministro.

“A esta tentativa se juntou a extrema direita golpista e assassina, que anunciou sua agenda violenta há meses. Pedimos ao povo que permaneçam em alerta máximo para, junto com a gloriosa Força Armada Nacional Bolivariana [FANB], derrotar a tentativa de golpe e preservar a paz”, prosseguiu Rodríguez.

Além de alguns militares, Guaidó estava acompanhado do oposicionista venezuelano Leopoldo López, que foi libertado nesta terça-feira em Caracas, onde cumpria uma pena de quase 14 anos de prisão domiciliar.

Numa breve mensagem emitida do lado de fora da base da Força Aérea, López disse ter sido libertado por militares que apoiam Guaidó e acrescentou que “hoje, as pessoas estão muito cientes de que as coisas precisam mudar”.

“O povo e as Forças Armadas vão conseguir o fim da usurpação, um governo de transição e eleições livres”, encerrou López aos gritos de “Venezuela livre!”.

O pai de López, que reside em Boston, nos EUA, confirmou por telefone que o oposicionista recebeu um “indulto presidencial” de Guaidó, reconhecido como chefe de Estado venezuelano por dezenas de países europeus e do continente americano, inclusive Brasil, Alemanha e Estados Unidos. 

“Hoje começa a Operação Liberdade em toda a Venezuela para acabar com a usurpação de Nicolás Maduro”, acrescentou o pai do oposicionista.

O fundador e líder do partido Vontade Popular (VP) se entregou às autoridades venezuelanas em 18 de fevereiro de 2014, depois que um tribunal de Caracas ordenou a prisão por instigar a violência no papel de um dos organizadores de uma manifestação que havia sido realizada seis dias antes e terminou com três mortos e dezenas de feridos.        

Ele foi transferido para uma prisão militar acusado dos crimes de incitação à desordem pública, associação para cometer um crime, danos matérias e incêndio. López acabou condenado em setembro de 2015 a 13 anos, nove meses, sete dias e 12 horas de prisão. Desde meados de 2017, López cumpria a pena em prisão domiciliar.

O ex-promotor Franklin Nieves, que acusou López, afirmou em outubro de 2015 que o processo judicial havia sido “uma farsa” e que ele tinha sido pressionado por Maduro e vários superiores dentro do Ministério Público para defender “provas falsas” contra o opositor.  

Em 2018, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, chefe do Ministério Público, denunciou ter sido pressionada por Diosdado Cabello – presidente da Assembleia Nacional da Venezuela na época da detenção de López – a acusar o opositor das mortes de Bassil Da Costa e Juan Montoya nos protestos.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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