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Rondônia: do fio ao satélite – Por Geovani Berno

Há tempo venho observando, estudando e fazendo parte da comunicação no estado de Rondônia. Seja como publicitário recém formado, lá no século passado em fevereiro de 1996, pela UFSM, no Rio Grande do Sul, ou como jornalista graduado na Uniron desde 2011, em Porto Velho.

Como já atuava em Santa Maria, mesmo antes de colar grau, tenho mais de 25 anos de trabalho em comunicação. É uma bela história. Mas nada que se compare as lutas de homens para conquistar e interligar o centro do poder administrativo aos rincões esquecidos do Noroeste brasileiro.

O professor e doutor em comunicação Jacques Wainberg esclarece em seu livro ‘Casa Grande e Senzala: com antena Parabólica’, que as “redes comunicacionais são pré-requisitos à fixação do ser humano no espaço, à superação do isolamento e da solidão e ao desenvolvimento da vida comunal”. E este era o projeto de interiorização do país, com a finalidade de manter o homem ocupando o espaço amazônico para que este não fosse ocupado pelos vizinhos limítrofes.

As primeiras tentativas de comunicação no território que hoje denominamos de Rondônia foram com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, iniciadas ainda no século 19, mas concluídas somente em 1912, onde os primeiros jornais que circulavam eram editados na língua inglesa, e, com a linha telegráfica capitaneada pelo Marechal Rondon, que também aqui aportou neste período.

Estes sim, pioneiros da comunicação e que sofreram e passaram por grandes intempéries nesta mata ainda selvagem e que ceifou milhares de vidas, seja na construção da ferrovia ou no desbravamento da mata, no Ciclo da Borracha, onde eram atacados por índios e pelo maior inimigo do homem, o mosquito da malária, responsável direto pelo grande número de baixas.

Muitos anos se passaram e o trabalho desempenhado por Rondon e seus homens não foi esquecido, pois o traçado delineado pelo grande sertanista brasileiro serviu como balizador para a construção da BR 029, posteriormente denominada BR 364. De nossa ferrovia pouco restou além de um cemitério de ferros jogados pelo caminho dos trilhos e poucos objetos e galpões que a muito custo estão sendo restaurados. E ela continua interligando “nada a lugar algum”.

Além dos já citados, muitos outros pioneiros da comunicação precisam ser lembrados e reverenciados como Phellippe Daou, Osmar Silva, Adair Perin, padre Vitor Hugo, Euro Tourinho, Mario Calixto, Emir Sfair e família Gurgacz, entre tantos outros que ajudaram a estes visionários a construir o que hoje temos como veículos de comunicação no Estado de Rondônia.

Refiro-me aqui aos desbravadores, mas não se pode esquecer que na atualidade, com o grande potencial que a internet nos legou, surgiram centenas de sites eletrônicos voltados a informação, mas destaco os pioneiros Rondoniaovivo, Rondoniagora, Rondonotícias,  Rondoniadinamica , O observador, tudorondonia, entre outros.

E assim nasceu Rondônia, lá nos idos de 1981 e, nestes quase 40 anos, em termos de comunicação desenvolveu-se muito bem, apesar de que, ainda em alguns distritos falte a comunicação via celular, mas que está chegando, pois como diria o grande educador Paulo Freire: “sem comunicação não há sentido a vida humana”.

O sinal de internet já chegou a algumas aldeias indígenas para auxiliar na mediação tecnológica e disseminar o conhecimento sem necessidade de deslocamento da aldeia para os centros urbanos.

A comunicação, que no caso da Região Amazônica chegou para interiorizar e fazer com que o espaço fosse ocupado, hoje, apesar das grandes distâncias e do desafio de se manter conectado, consegue chegar aos centros populacionais com boa qualidade e se espera que com o aperfeiçoamento das tecnologias se consiga ir além e possibilitar a todos os ribeirinhos o acesso a informação e ao conhecimento, aí sim, criando um país conectado que passou do fio as redes sem fio da informação.

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Geovani Berno é ator, jornalista e publicitário



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