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Rondônia: a política, os coronéis e a estrela-do-mar – Por Francisco Xavier

A história de Rondônia possui em suas páginas políticas uma lista de diversos coronéis que tiveram atuação de destaque na construção do estado, e mesmo na construção do Território do Guaporé ou do Território de Rondônia. É evidente que nesta lista não se pode olvidar de citar nomes como Aluísio Pinheiro Ferreira, Humberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira de Oliveira. Por uma questão de coerência histórica, o coronel Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha igualmente precisa ser citado, porque ele também constitui um capítulo muito importante da história. A citação desses nomes tem a finalidade de impedir que as futuras gerações tenham informações apenas sobre os coronéis que precisam ser esquecidos, antes de serem lembrados pela história deste estado, como é o caso do atual governador… 

A divulgação de alguns áudios onde Confúcio Moura diz que foi ele o conselheiro de Marcos Rocha, quando o então pré-candidato pensava em disputar o cargo de governador, por si só, já deixa claro que esse coronel não tem a essência desta patente, porque revela fragilidade, falta de amor ao militarismo e despreparo político. Após ter comido a tapioca eleitoral de Confúcio, o coronel andou diversos municípios do estado, pregando a moralidade, pregando valores familiares, valores religiosos e dizendo que implantaria em Rondônia a “nova política”, caso fosse eleito. Na verdade, ele jamais acreditou que seria eleito, tanto que suas opiniões, defendidas nos debates, durante a campanha, deixam bem claro que se tratava apenas de um nefelibata político que queria consolidar sua vaidade como candidato ao governo. A conduta política adotada por ele, após a eleição, e principalmente depois da posse, deixa muito evidente que ele está muito longe de ser um dos coronéis epigrafados. Falta polidez, inteligência, firmeza de retórica e falta aquilo que jamais faltou aos coronéis que o antecederam no cargo: COMANDO! 

Como a Polícia Militar de Rondônia tem em seus quadros enésimos coronéis muito qualificados, não faz sentido imaginar que Marcos Rocha é a ressonância da formação de oficiais da PM de Rondônia. Não é mesmo!! Mas a impressão que fica é a de que ele jamais comandou alguma coisa. A ausência de altivez e o excesso de pedantismo não fazem parte da biografia dos oficiais mais preparados da Polícia Militar de Rondônia. Isso sem falar no despreparo para o cargo que exerce. Um governador que prometeu enxugar a máquina administrativa do estado jamais deveria fazer essa farra de nomeações, sem nenhum critério técnico, apenas para brincar com a caneta bic do contribuinte de Rondônia. A nomeação de parentes de aliados em cargos de luxo do governo é prova cabal da falta de critério para administrar o estado que ele prometeu enxugar. Esse patriotismo de empregar parentes é uma coisa tão hipócrita e tão antiga que não combina com a “nova política” dos panfletos do coronel…

A coisa mais estranha que ocorre na pedagogia do coronel Marcos Rocha é a incoerência praticada em alguns atos do governo, em relação à educação. Poucos dias atrás, alguns guachebas, desses que adoram viajar o interior do estado, ganhando diárias para proferir verborragias, apareceram em Cacoal visitando escolas. Eles disseram aos diretores que, caso os professores se alimentassem na escola, o governo decretaria a prisão dos diretores. Não tem decisão mais néscia do que essa! Ninguém sabe de onde o governo tirou a lei que tipifica como crime o ato de um professor comer um prato de comida em uma escola. E não precisa ser coronel, e muito menos governador, para saber que quando alguém oferece propina para um agente público, deve ser preso. O coronel Marcos Rocha não prendeu as pessoas que ele disse que ofereceram propina a ele. Agora, fala em prender diretores de escolas que deixarem os professores comer junto com os alunos. Com certeza, o governador acredita que negar comida aos professores vai melhorar a qualidade do ensino nas escolas do estado…

Aliás, o governador mandou pintar no muro das escolas de Rondônia a bandeira do estado em forma de estrela-do-mar. Essa ideia é sintomática! A estrela-do-mar éum animal que não possui cérebro. Um governo que intimida diretores de escolas, tentando impedir os professores de merendar, também não tem cérebro. Agora, se o coronel declarar que não sabia desse pandemônio, então lhe falta comando. Nesse caso, o túmulo do coronel Jorge Teixeira certamente vai tremer. A história não mente! Muitas pessoas falam que nem todas as composições da música brasileira atual possuem a qualidade das composições do século passado. Pois é! E nem todos os cursos de formação de oficiais formam oficiais como Aluísio Ferreira, Humberto da Silva Guedes e Jorge Teixeira de Oliveira…Tenho dito!!!


FRANCISCO XAVIER GOMES é Professor da Rede Estadual e Articulista

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