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Rondônia: a política, a literatura e os problemas do analfabetismo

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Eu confesso que minha maior curiosidade é saber de quem foi a ideia de condenar esses autores e obras, porque esse tipo de conduta é algo que não tem precedentes na história dos crimes de lesa-pátria

O estado de Rondônia já foi exposto negativamente muitas vezes, no cenário nacional, e as razões foram várias, além de serem marcantes. Já tivemos incontáveis políticos presos por corrupção; por tráfico de entorpecentes; por crimes contra a vida; por crimes ambientais; por razões tributárias e diversos outros problemas que contribuíram para desgastar a imagem do estado.

Todavia, a eleição do Coronel de Barranco, Marcos Rocha do Pé Quebrado, para o cargo de governador ainda  vai colocar o estado em muitas situações vexatórias, uma vez que ele não tem a menor capacidade de governar o estado criado por Jorge Teixeira, que era coronel de verdade. Esse recente episódio de censurar dezenas de livros e autores consagrados da Literatura Brasileira é prova cabal da incompetência do governador e do seu Secretário de Educação…

Inicialmente, convém registrar que as maiores atrocidades cometidas por Suamy Lacerda na SEDUC decorrem da enorme distância que existe, há décadas, entre ele e a sala de aula. É muito estranho que uma pessoa com graduação em História tenha atos tão desconectados  da Sociologia, Filosofia, do Direito, da Literatura e outras Ciências, como esse secretário da educação do governo do Coronel Pé Quebrado.

Ele já fez todo tipo de lambança na Seduc e sempre teve a proteção do governador.

Suamy Lacerda, como Historiador, tem trabalhado muito para fazer Rondônia voltar ao período Paleolítico. Com certeza nossos colegas de História e os professores do Curso de História da Unir sentem vergonha de ver a postura desse Historiador Mamulengo na pasta da educação de Rondônia.

Esse secretário já tentou proibir professores de merendar; já tentou proibir palestras em escolas; já gravou vídeos mentindo que pagaria os valores corrigidos do Piso Salarial; já deu inúmeras declarações contra os colegas de profissão e já fez um estrago na imagem da Seduc… Porém, nada se compara a essa decisão de censurar obras e autores absolutamente necessários nas bibliotecas das escolas. O memorando número 04/2020/SEDUC – DGE prova que o secretário mandou recolher os livros…

Um secretário de educação que determina o recolhimento de obras escritas por Machado de Assis, Rubem Alves, Mário de Andrade, Ferreira Gular, Euclides da Cunha e outros que constam na Lista do Absurdo deveria ser condenado a pelo menos 140 anos de cadeia, para citar a idade da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, escrita pelo fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, e reconhecida como uma obra-prima da nossa Literatura Brasileira, pelos principais críticos da história da Literatura que viveram nos últimos 200 anos.

Machado de Assis merece respeito!!!! Mário de Andrade esteve entre os principais organizadores da Semana de Arte Moderna, em 1922. Claro que Marcos Rocha e Suamy Lacerda não fazem a menor ideia do que foi a Semana de Arte Moderna, porque as pessoas que sabem jamais condenariam à fogueira do analfabetismo uma obra como Macunaíma. Está muito claro que os onagros que determinaram o recolhimento desse acervo jamais leram nenhuma dessas quase 90 obras condenadas por eles.

Quase 90, sim! Porque o último item da Lista do Absurdo determina o recolhimento de todos os livros de Rubem Alves. Rubem Alves é autor de mais de 40 livros, sem contar a infinidade de crônicas de altíssima qualidade. Não é possível que Marcos Rocha e Suamy Lacerda não saibam quem foram esses autores que eles condenam. No caso de Nelson Rodrigues, fica fácil entender por  que ele foi condenado pelo governador e pelo secretário da educação: Nelson Rodrigues previu, na década de 80, que os idiotas, um dia, dominarão o mundo…

Eu confesso que minha maior curiosidade é saber de quem foi a ideia de condenar esses autores e obras, porque esse tipo de conduta é algo que não tem precedentes na história dos crimes de lesa-pátria, ainda que Weintraub seja considerado atualmente um dos maiores imbecis da nação, alguém em Rondônia conseguiu superá-lo.

Que coisa absurda!!!  Marcos Rocha já deu provas de que não entende absolutamente nada de política; não entende nada de carreira militar; não entende nada de religião… Agora, esse crime contra a Literatura Brasileira realmente supera todas as lambanças da dupla Suamy/Pé Quebrado. Eu jamais imaginei que duas pessoas que dizem ser professores protagonizassem um ato tão medíocre contra a educação e contra a formação das futuras gerações. Que Suamy odeia os livros está claro!

Que Marcos Rocha odeia os livros está claro! Como também está claro que eles ficaram sabendo que os livros condenados por eles existem somente pelo título. Nunca leram nenhum!!! Até aí, tudo bem! Agora, tentar tirar dos estudantes, professores e todos os demais rondonienses o direito de conhecer obras-primas da Literatura do Brasil é uma atitude que deve ser abominada por todas as pessoas que sabem que a leitura é fundamental…

E quando nós defendemos a ideia de que ler é necessário e importante, sempre surgem pessoas que fazem beicinho. Suamy Lacerda e Marcos Rocha são duas vítimas do analfabetismo. Se tivessem lido, cada um, pelos menos três livros dessa lista que eles condenam, jamais teriam essa atitude criminosa contra a História do país que Mário de Andrade, Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros gigantes da Lista do Absurdo ajudaram a construir.

É uma pena que Marcos Rocha e Suamy Lacerda não saibam o que está “escrito” na tela Abaporu, de Tarsila do Amaral; é uma pena que eles não saibam que a tela foi um presente da artista para Oswald de Andrade, grande parceiro do Mário de Andrade. Ao condenar e censurar Macunaíma, Suamy e Marcos Rocha condenam por tabela a autora de Abaporu. A Literatura Brasileira não merece essa dupla de analfabetos… Tenho dito!!!!

Francisco Xavier Gomes

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Uma nação privatizada – Professor Nazareno*

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O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos

Sempre acreditei na máxima de que “quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. E essa discussão no Brasil vem desde os governos neoliberais de FHC no final da década de 1990. “O Estado tem que ser o menor possível”, diziam os teóricos dessa aberração social. No nosso país, onde os governantes nunca investiram em Educação de qualidade, o resultado não podia ser diferente: desemprego em massa e uma economia baseada na informalidade. Essas são as “conquistas” que observamos hoje mais de duas décadas depois.

A Vale do Rio Doce e a Energisa são dois exemplos típicos da grande onda de privatizações que tomou conta do Brasil nos últimos anos. Mesmo com 13 anos de um governo de esquerda, a onda privatizante se espalhou pelo Brasil, entregou várias empresas estatais à iniciativa privada e ainda continua sendo uma panaceia milagreira.

Mas não é. A privatização dos bens pertencentes ao Estado só aumentou a desigualdade social e os problemas dos cidadãos brasileiros, que pagam uma das maiores cargas tributárias do mundo, e nada recebem em troca. Se o Estado se desfizer de seus bens, deveria também parar de cobrar tantos tributos. Mas a desestatização não funciona assim. Pelo menos no nosso país. O Estado se desfaz de seu patrimônio e continua cobrando altos impostos de todos.

Aqui não temos Educação de qualidade, não temos Saúde, não temos saneamento básico, nem qualquer assistência do Poder Público. Até o que se paga de energia vai para uma empresa privada que só vê o lucro. No caso específico de Rondônia, a atuação da Energisa dispensa quaisquer comentários. Assim como a Vale do Rio Doce com os seus incríveis desastres de Mariana e de Brumadinho.

Nos países desenvolvidos de Primeiro Mundo tudo o que é público funciona muito bem. No Brasil, só dá certo tudo que é privado. Por isso, a ideia de privatizar tudo tomou conta de todos indistintamente. Quando os funcionários da antiga Ceron saíam às ruas, por exemplo, todo mundo gritava a uma só voz: “têm que privatizar mesmo. Só assim vai melhorar”.

E a classe política local foi a primeira a entregar o patrimônio dos rondonienses aos forasteiros. Depois eles tentaram consertar a bobagem criando uma CPI na Assembleia Legislativa para “defender os consumidores lesados pela empresa mineira”. Tarde demais. “Só conversa para inglês ver”. Sem a sua empresa de energia elétrica e tendo que pagar por uma das mais altas taxas de energia elétrica do país, os tolos rondonienses perderam tudo e hoje choram “desolados” sobre o leite derramado.

Agora o governo do “Mito” quer privatizar o resto do que sobrou do Estado brasileiro. Os Correios, A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os poucos bancos estaduais que ainda existem, as estradas, as escolas públicas, os hospitais, a Petrobras, os portos, a Amazônia, o Cerrado, o litoral, as chapadas, as universidades federais e talvez até todos os Estados da Federação. Nada escapa da sanha privacionista do atual governo.

Se depender de Brasília, tudo será entregue à iniciativa privada. E nada de se fazer a reforma tributária. Nada de diminuir os impostos. Nada de tentar melhorar os serviços públicos. Os mais de 13 milhões de desempregados sofrem pela incompetência dos sucessivos governos. O Estado sendo público nunca funcionou para a maioria de seus sofridos cidadãos. Por que melhorará se for todo doado à iniciativa privada? Aqui sempre prevaleceu a ideia da “Casa Grande e Senzala”. Triste tudo isso!

*Foi Professor em Porto Velho.

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Transposição: Marcos Rocha precisa pedir a Bolsonaro providências para enquadramento de servidores

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“De grão em grão”, os políticos enchem o papo furado

De nada adianta o Superintendente de Gestão e Pessoas do governo de Rondônia, coronel Sílvio Luiz Rodrigues, se reunir com a bancada federal com a proposta de vir à Brasília e realizar audiência no Ministério de Economia com  o secretário especial de desburocratização, gestão e governo digital do Ministério da Economia, Paulo Antônio Spencer Uebel, objetivando a solução do imbróglio, porque não tem força política nenhuma para resolver o problema. Tudo conversa fiada. Nem a bancada está conseguindo avançar nas negociações para o enquadramento e inclusão na folha de pagamento da União. Vem somente gastar passagem aérea e diárias.

O governador Marcos Rocha e o deputado federal Coronel Chrissóstomo se gabam de serem amigos do presidente Jair Bolsonaro. Vivem aos quatro cantos do Estado propalando essa amizade. Por que não pedem ao Bolsonaro que resolva de vez essa situação? Qual é o medo? Qual é o problema? Se não tem a coragem devida, seria então outro “papo furado” dizer que são amigos do presidente?

Enquanto isso, os servidores estão envelhecendo, não podem se aposentar porque aguardam uma decisão que não chega nunca, a bancada não sabe mais o que fazer e muitos estão morrendo sem ver o que chamam de direito, reconhecido pela Constituição Federal.

O único ato ensaiado junto com a bancada federal foi a confecção do Decreto presidencial  9823/19 que apenas autoriza o aceite do Termo de Posse, caso o servidor comprove que está apto e em condições legais para assumir futuramente como servidor federal tendo como base as EC 60 ou EC 98 e a Lei 13.681. Depois disso, mais nada.VEJA TAMBÉM:

Muita falta de respeito com os servidores esse tratamento desumano e recheado de “lorotas” para enganar os incautos que sonham em se tornarem servidores federais e descansar em paz.

Não vai demorar e a transposição de servidores estaduais de Rondônia para os quadros federais vai se tornar um crime, porque as pessoas que realmente têm o seu direito adquirido, acabarão morrendo sem o benefício, pelo tempo que ainda vai demorar e suas famílias vão ingressar com diversas ações de reparação desse direito na Justiça. Aí sairá mais caro.

Veja a matéria do governo clicando AQUI

Carlos Terceiro, Nahoraonline.

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Hoje, eu defendo o Suamy (o secretário dos livros censurados) -Professor Nazareno*

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Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse

Suamy Vivecananda Lacerda de Abreu é um rondoniense nato, formado em História pela Universidade Federal de Rondônia e um bom conhecedor da História da Educação neste Estado com vários anos atuando em escolas do interior e também da capital. É um dos fundadores, junto comigo e outros professores, do Projeto Terceirão da Escola João Bento da Costa de Porto Velho que dispensa quaisquer comentários.

É atualmente secretário de Estado da Educação. E pesa contra ele a denúncia de ter mandando recolher vários livros das escolas públicas do Estado. Um escândalo estadual, nacional e até internacional. Foi acusado de ter censurado obras reconhecidas como best-sellers mundiais. Não sou advogado deste honrado professor e nem tenho procuração para lhe defender. Mas não acredito que o mesmo tenha feito esse absurdo.

Suamy sempre foi meu amigo e trabalhamos juntos durante mais de 12 anos. Já divergimos em várias situações e não seria agora que o mesmo, apesar de ser secretário de Educação de um coronel-governador da extrema-direita, que é admirador de um capitão- presidente, do Exército e também da extrema-direita, iria “entregar o jogo com uma infantilidade dessas”. Suamy não é um intelectual refinado, não é autor de obras consagradas, nem tem profundos conhecimentos sobre todos os temas, mas também não é um idiota.

Se ele obedeceu a uma ordem para recolher esses livros porque os mesmos tinham “conteúdos inadequados às crianças e adolescentes”, aí o idiota sou eu que sempre acreditei nele e nos seus bons propósitos. Censurar Rubem Alves, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Euclides da Cunha e Franz Kafka não é para qualquer Suamy.

E ele deveria saber disso. E ele, como um bom professor de História que sempre foi, não poderia jamais ter permitido que se fizesse isso. Suamy deve ter votado no coronel Marcos Rocha. Deve ter votado também no capitão Jair Bolsonaro, coisas que jamais eu teria feito. Eu tenho minha posição política e ele a dele. Até aí, tudo normal.

Não sou de extrema-direita muito menos de esquerda. Odeio a ideologização desnecessária que se tem feito da sociedade brasileira atual. Para mim, quem destruiu e continua destruindo o Brasil não foi a direita nem a esquerda, mas as duas posições políticas. Ambas, quando estiveram no poder, roubaram, foram corruptas, pregaram a desigualdade social e nunca investiram o que deviam ter investido na Educação de qualidade. Por isso, ambas deviam ser escorraçadas de nossa vida política para sempre.

Defendo o professor Suamy neste episódio por que sei que ele jamais se prestaria a um serviço “sujo” e “porco” como esse. E não por que eu queira alguma benesse do Estado. Já sou um professor aposentado e estou “bem”. Mas se ele falhou neste aspecto e fez o que “acho que ele não fez”, abomino o seu posicionamento e a sua atitude tosca, pois jamais compactuaria com a censura e o obscurantismo.

Os atuais governos, nos quais acho que o professor Suamy votou, não podem nem devem fazer o que quiserem com a nossa sociedade, pois o que já está estabelecido não admite mudanças. E com pouco mais de um ano à frente da Seduc/RO, Suamy foi um dos responsáveis pelas notas de Redação no ENEM/2019 das escolas públicas, que ficaram muito acima dos alunos das escolas particulares de Rondônia. Por tudo isso, acho que ele não quer ideologizar as escolas, mas fazer um trabalho de relevância. Assim espero!

*Foi Professor em Porto Velho

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