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Ratos no “Açougue” – por Professor Nazareno

Era uma vez uma cidade muito limpa que tinha um hospital também muito limpo e organizado. Era um hospital modelo na região. Lá todo mundo comia seis vezes por dia e os pacientes eram recebidos com muita educação e cortesia. Os tratamentos no dito hospital se tornaram referência no país inteiro e também no mundo. Há relatos de que a população da referida cidade se fazia de doente só para se internar naquele ambiente limpo e aconchegante. O “atendimento de ouro” chamou inclusive a atenção do presidente dos Estados Unidos no recente encontro entre os “trumpalhões”. O “trumpalhão” de lá teria perguntado ao “trumpalhão” de cá como andavam as coisas num certo “açougue”. Como está dando tudo para os gringos, dizem que o “trumpalhão dos trópicos” também queria doar aos EUA aquele referido bazar de saúde pública.

Os diplomatas estranharam o fato de se dar ratos de presente. “Mas nisso não há nenhum mal, pois os roedores são animais inofensivos e até limpinhos”. Além do mais, existem ratos em todo governo. Pelo menos no nosso país é uma coisa mais do que normal. Existem ratos nas Câmaras de Vereadores, existem ratos nas Assembleias Legislativas, prefeituras, palácio do governo e também nos Ministérios e em muitas outras repartições municipais, estaduais e federais. Por que não haveria de ter ratos num “açougue”? De acordo com as novas regras políticas, quem quiser se internar no lindo e bem cuidado hospital, tem que ser com rato. Ou então não se interna. Muitos planos de saúde, inclusive, já estão pensando em adotar este novo tipo de atendimento em suas apólices. Com rato ou sem rato? A escolha ficará por conta de cada cliente, obviamente.

E nada de querer construir um novo hospital de pronto socorro na linda cidade. Essa ação poderia perigosamente salvar a vida de muitos pobres e miseráveis e eles têm que morrer para depois virarem estatísticas. Por isso, todo o repasse das arrecadações estaduais, por exemplo, devia ser feito somente para as varas da Justiça, para o Poder Legislativo, para o Ministério Público, para pagar os barnabés e também fornecedores. Os “Palácios de Mármore” destas instituições devem ficar sempre reluzentes para receber o público carente. Enquanto isso, o lindo hospital continua com a sua saga de “campo de extermínio de miseráveis”. E quem pode se livra dele comprando um bom plano de saúde. Se consertar aquilo, muitos desses planos podem ir à falência. E quem vai financiar as campanhas políticas para eleger os outros ratos? Entenderam o “jogo”?

O Brasil definitivamente está mudando com o novo governo. E a cidadezinha citada também já acompanha os novos tempos com o seu lindo hospital. Nos governos de esquerda tínhamos um “campo de extermínio de pobres”. Agora a coisa evoluiu simplesmente para um campo de miseráveis. E com a agradável surpresinha de ter ratos em suas dependências. É cada gabiru tão grande e gordo que chega a fazer inveja aos melhores hospitais da Somália, Serra Leoa e Etiópia. Mas há o lado bom: se fossem ratazanas magras e esquálidas, seria um indicativo de que a situação estava muito ruim na cidadezinha. Em nenhum outro lugar do mundo existem roedores dentro dos “açougues”. Todas as pessoas da referida cidade deviam se orgulhar desses ratos, principalmente as que têm um bom plano de saúde. Seremos notícia no Brasil inteiro. Ironia das ironias: só os “ratos de fora” é que conseguirão combater os ratos de dentro.

*É professor em Porto Velho

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