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Propina de Angra 3 custeou reforma na casa de filha de Temer, diz MPF

Reformas realizadas na casa da psicóloga Maristela Temer, filha do ex-presidente Michel Temer, foram custeadas com dinheiro de propina obtida a partir da obra na usina nuclear Angra 3, segundo o Ministério Público Federal (MPF). A denúncia apresentada pelo MPF nesta quinta-feira embasou o pedido de prisão preventiva de Temer , determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

De acordo com a denúncia, a reforma na residência de Maristela, localizada no bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, foi custeada por José Baptista Lima Filho, o Coronel Lima, amigo pessoal de Temer e apontado pela força-tarefa da Lava-Jato como operador do ex-presidente. Lima também foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira.

A Operação Radioatividade, deflagrada em julho de 2015, apontou indícios de fraude de licitação, corrupção e lavagem de capitais na obra de Angra 3. Contratos firmados pela Argeplan, empresa de Coronel Lima, na construção da usina nuclear foram usados no desvio de aproximadamente R$ 1,5 milhão, segundo a denúncia do MPF, para promover a obra na casa da filha de Temer, em 2014.

“(…) Resta nítido que parte dos recursos obtidos ilicitamente pela empresa Argeplan, cujos os sócios são José Baptista Lima Filho e Carlos Alberto Costa, foram convertidos em benefício direto da filha do ex-presidente Michel Temer, Maristela Temer, com ciência e aval desse na aplicação do ativo”, afirma a denúncia apresentada pelo MPF.

Segundo o MPF, que se baseou na delação premiada do executivo José Antunes Sobrinho, da empreiteira Engevix, o pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente Michel Temer a partir da obra de Angra 3 foi “muito mais sofisticado do que esquemas anteriores”. A Engevix se associou a uma empresa finlandesa, a AF Consult Ltd, para executar o projeto. De acordo com a delação de Antunes, a Argeplan foi subcontratada por pressão de Coronel Lima, que teria ingerência sobre a direção da Eletronuclear, estatal responsável por gerir usinas nucleares. O poder de Lima, ainda segundo o delator, devia-se à sua proximidade com Temer.

Devido a dificuldades para comprovar novas despesas no contrato de Angra 3, Lima teria arquitetado, no início de 2014, o pagamento de propina através de contratos da Engevix em projetos junto à Secretaria de Aviação Civil (SAC), à época sob a alçada do ex-ministro Moreira Franco – que também foi alvo de prisão preventiva nesta quinta. Assim, segundo a denúncia, um contrato de exploração de espaços publicitários no Aeroporto de Brasília, celebrado com a empresa Alumi, foi usado como fachada para que esta empresa destinasse quase R$ 1,1 milhão às empresas de Coronel Lima, por serviços inexistentes.

A delação de Antunes afirma que Temer avalizou o Coronel Lima como seu intermediário e pessoa de confiança, “apta a tratar de qualquer tema”.

De acordo com o MPF, a reforma na casa de Maristela Temer, cujas tratativas se iniciaram em 2012, teve como responsável Maria Rita Fratezi, mulher de Coronel Lima. Funcionários da Argeplan também atuaram na reforma. Segundo a denúncia, a maior parte dos recursos foi paga em dinheiro vivo.

“O aporte de valores foram feitos em sua quase totalidade em espécie, demonstrando a confusão patrimonial entre o ex-presidente e o Coronel Lima e a lavagem de ativos obtidos por meio de propina, transformando em ativo lícito usufruído pela família do ex-presidente”, diz a denúncia.

A reforma na casa de Maristela Temer vinha sendo investigada pela Polícia Federal. A filha do ex-presidente havia prestado depoimento em maio de 2018, para prestar esclarecimentos sobre os recursos usados na reforma. À época, acreditava-se que a obra havia sido custeada com recursos pagos pela JBS. Apesar de ter seu nome vinculado à denúncia, Maristela não está entre os alvos de pedidos de prisão preventiva ou temporária feitos pelo MPF.

Fonte: OGlobo.com

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