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Operação da Receita e PF pode causar mais de 2 mil demissões em Rondônia

Batizada de “Dracma”, operação mira empresas Nova Era, Coimbra e MS

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira, 14, a Operação Dracma que investiga suposta lavagem de dinheiro de tráfico, sonegação fiscal e evasão de divisas por parte de três grandes empresas em Rondônia. A Distribuidora Coimbra, a Mercantil Nova Era e a MS Distribuidora. As três operam na zona de Livre Comércio de Guajará-Mirim.

Em síntese, de acordo com a explanação inicial das autoridades, essas empresas recebiam dinheiro de supostos traficantes em operações comerciais, compravam moedas estrangeiras de cambistas bolivianos e outros traficantes adquiriam drogas no país vizinho. O caso tem algumas tecnicidades, mas é bem difícil imaginar a família de Mário Português (Coimbra), metida em um arranjo dessa natureza de forma proposital. Em relação a empresa MS não posso opinar, não conheço. Também foram alvos a Potosi Material de Construção e a Rical Distribuidora.

E a fila do desemprego pode aumentar…

Porém, essas quatro empresas de médio e grande porte podem ter sofrido um golpe difícil de ser reparado a curto e médio prazo. A simples relação de envolvimento com tráfico internacional, mesmo que de forma indireta, coloca esses três grupos em um enquadramento jurídico complicadíssimo. Crimes dessa natureza permitem à justiça a quebra de sigilo de todos no entorno dos acusados, além é claro de bloqueios financeiros, perda de bens e o imbróglio jurídico que isso causa.

Mas, responsabilidades à parte, vamos torcer para que tudo seja devidamente apurado e que seja separado o joio do trigo de forma responsável pelas autoridades, e antes de jogar pedras é bom lembrar que essas empresas, juntas, empregam mais de 2,5 mil pessoas diretamente.

De acordo com informações repassadas pelas autoridades, foram bloqueados mais de R$ 70 milhões nas contas dos empresários e das empresas, e isso é gravíssimo. Essas empresas precisam pagar funcionários, fornecedores, impostos, manter a logística de transporte e suas unidades funcionando.

E quando se tratam de empregos em um país que já está quase no fundo do poço, é preciso ter responsabilidade. A Receita poderia ter feito toda essa operação de forma sigilosa, sem o espetáculo das batidas de porta às seis da manhã. Intimações podem ser entregues e os acusados, se porventura recusassem comparecer, poderiam ser levados coercitivamente.

O Brasil atravessa um momento delicado economicamente falando. O Estado de Rondônia mais ainda. Já estamos sofrendo com grupos empresariais fechando as portas, aumentando a longa fila de desempregados. Montar uma operação desse porte custa caro, envolve uma quantidade absurda de efetivo e é totalmente desnecessária. Difícil acreditar que sejam necessários 200 policiais, mais o exército e agentes da Receita para “buscar provas” em residências de gente que pode até ter defeitos, e talvez cometam algum tipo de desvio, mas jamais ofereceriam resistência a ponto de precisar de um efetivo tão grande.

As autoridades precisam ter muito mais cuidado quando lidam com empregos diretos. E você pode acreditar, Rondônia perde muito mais com o fechamento dessas empresas, caso elas sejam inviabilizadas de operar que os supostos desvios apontados pelas autoridades.

E não se trata aqui de “defender empresas ou empresários”, trata-se de uma crítica que deve ser levada em consideração quando falamos de empregos e vidas de milhares de famílias que dependem dessa renda para sobreviver e pagar suas contas.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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