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O medo de “hackers” pelas pessoas do povo e o uso incorreto da palavra

Banalizaram o movimento hacker e ignoram a tecnologia dos softwares

Para começar, vamos deixar claro que existe uma diferença enorme entre um hacker e os golpistas de plantão, que utilizam técnicas de engenharia social ou pacotes prontos de malware e phishing para enganar os desavisados. Hacker, em sua essência nada mais são que defensores da idéia que “toda informação deve ser livre”, pois o hacker precisa de informação para melhorar aquilo que precisa, a sua visão, ser melhorado”. Também defendem a  promoção da descentralização, desconfiando de uma única autoridade. Isso é essencial a prática, pois quanto mais disseminado o conhecimento e as técnicas dominadas por um, melhor será para o restante experimentar e produzir novas soluções.

Os golpistas de plantão, que roubam dados e informações são ladrões, e apenas isso. O tema vem sendo bastante difundido devido ao vazamento de conversas da equipe da Lava-Jato pelo The Intercept Brasil e o próprio Gleen Greenwald deixou claro ter recebido o pacote de conversas de fonte anônima. Conjecturas feitas pelos mais apressados que passaram a culpar “hackers” de terem invadido celular de A ou B.

A bem da verdade o que ocorreu foi o uso descuidado da tecnologia disponível. O Telegram é um dos aplicativos de mensagens mais seguros do mundo, basta saber usar. O tipo de tecnologia utilizado por eles é praticamente inviolável externamente, desde que, é claro, esteja sendo utilizado do modo correto. Alguém da Lava-Jato, em algum momento foi vítima de um golpe, tal qual qualquer mortal ou alguém teve seus interesses feridos e resolveu entregar os “amigos” de bandeja.

A narrativa mais tosca veio nesta quarta-feira com uma suposta mensagem entre o “hacker” e procuradores, e até a juíza Gabriela Hardt, “hacker aqui”.

Não, não é um “hacker aqui”, é alguém que conseguiu, através de um golpe acesso a telefones. É uma malandragem, e dificilmente quem passou a conversa para o Intercept é quem está falando com essas pessoas. A banalização “de ataques” tem outro foco, o de inundar a imprensa com esse tipo de notícia para minimizar futuras reportagens.

Mas o pior disso é criminalizar o “hackerismo”, misturando com golpistas comuns.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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