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Novos tempos bolsonáricos – Professor Nazareno*

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Direitos humanos não existem mais e os presidiários têm que aprender a respeitar os cidadãos de bem que trabalham

Na semana passada tive que dar uma surra na minha esposa, a Francisca. A mesma dormiu demais e pela manhã não me fez os ovos mexidos como eu exijo todos os dias. Tive que ir à escola sem comer uma das coisas de que mais gosto. Disse-lhe que se isto acontecesse de novo, eu não a perdoaria. Quieta e calada, depois de umas tapas e uns puxões de cabelo, ela me obedeceu e depois me pediu muitas desculpas. A função da mulher é servir ao homem e ponto final.

Felizmente, ela entendeu qual o verdadeiro papel da mulher nestes novos tempos em que estamos vivendo. Na escola, só inicio as aulas depois de ler a Bíblia e cantar o hino nacional. Os meninos entram na sala todos em fila depois de eu obrigá-los diariamente a prestar continências a mim ou a qualquer outra autoridade que esteja presente. Deus, a Pátria e os valores morais são ensinados.

Esse negócio de politicamente correto é coisa já ultrapassada. Direitos humanos não existem mais e os presidiários têm que aprender a respeitar os cidadãos de bem que trabalham. Prisão perpétua e pena de morte serão a partir de agora analisadas juridicamente e poderão fazer parte do nosso Código Penal. A censura não voltará, mas todos os programas de televisão, propagandas, anúncios, músicas e filmes nacionais serão devidamente analisados por uma equipe do governo para se observar se o conteúdo abordado não está ferindo os valores da família e da pátria.

O Estado não será mais laico. A religião que prevalecerá em todos os ambientes será a cristã. O ateísmo, por ser uma coisa demoníaca e totalmente anormal, não será mais tolerado. Família será composta agora só por homem e mulher. Nada de família homoafetiva ou outro tipo.

O Nazismo foi de esquerda, a terra é plana, homem veste azul e mulher veste rosa, Cristo foi visto em cima de uma goiabeira, princípios democráticos não resolvem problemas de país nenhum, os Beatles não sabiam nada de música, todo bandido tem que ser morto pela polícia, Olavo de Carvalho é um intelectual, a NASA não distingue uma fogueira de acampamento de um incêndio qualquer, os dados do IBGE não são confiáveis, ideologia de gênero é coisa do capeta, Pinochet foi um herói chileno, o coronel Brilhante Ustra prestou relevantes serviços ao Brasil, a mídia só pode divulgar o que interessa aos governos de plantão e Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil nunca foram bons cantores. Essas verdades indiscutíveis precisam ser ensinadas às novas gerações. Fake News não podem ser criminalizadas e toda democracia é relativa.

Respeitar o meio ambiente, só em último caso. Esse negócio de que a Amazônia e o cerrado estão sendo devastados pelas queimadas é lorota que espalham por aí só para prejudicar o governo e macular a imagem do Brasil lá fora.

É preciso produzir alimentos cada vez mais. Onde já se viu índios com direitos? Os selvagens só terão terras demarcadas se nelas produzirem alguma coisa como milho, soja, arroz ou outras commodities. Os garimpos devem continuar existindo. De onde se tirou a ideia de que poluem os rios, a mata e a natureza? E como o trabalho dignifica o homem, toda criança deve ser ensinada a “pegar no batente” logo cedo para ir se acostumando. Justiça com as próprias mãos diminuirá a violência e sempre deve ser incentivada pelas autoridades. Mulheres, negros, homossexuais e todas as minorias devem se adaptar aos princípios e às regras da maioria. Assim, o Brasil entrará para o rol das nações civilizadas do mundo.

*É Professor em Porto Velho.

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