De acordo com órgão, ‘investigação preliminar’ não encontrou prova de fraudes envolvendo ministro do Supremo

A Receita Federal afirmou nesta segunda-feira, 11, que a apuração sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, é preliminar e não resultou em procedimento de fiscalização. Em nota, o Fisco informou que a menção, em documento interno, a “possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência” relacionados à movimentação financeira do ministro e de sua mulher, a advogada Guiomar Mendes, não está amparada em evidências verificadas durante análise prévia.

Na sexta-feira, Gilmar enviou um ofício ao presidente do Supremo, Dias Toffoli, em qual pedia providências após ter tomado conhecimento de que era alvo de apuração de auditores. O ofício foi divulgado pela revista Veja e confirmado pelo Estadão/Broadcast.

Segundo a Receita, foi identificado “dossiê” com os documentos citados por Gilmar, bem como todas as pessoas que tiveram acesso ao procedimento de tramitação restrita. “A identificação e a responsabilização pelo vazamento estão sob apuração em procedimento específico, conduzido pela Corregedoria da Receita Federal”, disse o órgão em nota.

No documento, o auditor da Receita afirma que Guiomar, mulher de Gilmar, “possui indícios de lavagem de dinheiro, tendo recebido valores distribuição de lucros/dividendos em sua declaração de Imposto de Renda sem a devida correspondência na ECF, uma declaração de informações contábeis e fiscais do escritório de advocacia”.

Segundo o relatório da Receita, “verificou-se ainda distribuição de lucros/dividendos nos anos de 2014 e 2015, os quais deverão ser verificados se houve a efetiva prestação de serviços pela contribuinte (Guiomar Mendes) em análise”.

A Receita afirmou, porém, que “as expressões ‘possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência’ constantes no documento que acompanha a matéria (da revista Veja) não estão amparadas em evidências verificadas durante o procedimento de análise preliminar, de caráter interno, que podem ou não resultar de forma motivada em abertura de procedimento de fiscalização”.

O órgão reforçou que o Fisco atua para combater fraudes fiscais e que, se forem identificados outros crimes, os indícios serão encaminhados para as autoridades responsáveis.

Em entrevista ao Estado na sexta-feira, Gilmar criticou a iniciativa do auditor e disse que a Receita não pode ser convertida numa Gestapo, em referência à polícia do regime nazista que investigava e torturava opositores ao regime de Adolf Hitler.

O ministro viu quebra de sigilo e uso político do órgão na apuração sobre possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio – e estuda processar os auditores fiscais. “A Receita não pode ser convertida numa Gestapo ou num organismo de pistolagem de juízes e promotores”, disse Gilmar. “Agora, se eles fazem isso com ministro do STF, o que não estarão fazendo com o cidadão comum?”, reagiu.

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