Representantes sindicais prometem resistência à reforma da Previdência que Paulo Guedes pretende enviar ao Congresso: “Precisa ter mais diálogo”

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniram nesta quinta-feira (7) com o vice-presidente Hamilton Mourão para discutirem a reforma da Previdência que deve ser apresentada pelo Planalto ainda neste mês. A reunião desagradou o presidente Jair Bolsonaro, resistente a movimentos sociais.

Ainda que esteja no exercício da presidência, Bolsonaro segue internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo e, por isso, não pode receber visitas. Desta forma, os representantes da CUT pediram uma conversa com Mourão e foram atendidos.

Presidente da Central, Vagner Freitas disse que pediu mais conversas entre o governo e trabalhadores para que, assim, a reforma da Previdência seja mais justa e sustentável.

“Nós vamos pressionar muito para que não seja tirado nenhum direito dos trabalhadores. O vice-presidente disse que a negociação se dará no Congresso, mas não pode ser assim, o trabalhador tem que ser ouvido sempre, ainda mais quando é um projeto que mexe na relação patrão e empregado”, questionou Vagner Freitas.

O sistema de capitalização, já confirmado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes , não agrada os representantes dos trabalhadores. A entidade promete uma assembleia para buscar alternativa à proposta e depois apresentar ao Planalto.

“Iremos fazer resistência. O governo sabe disso, mas de maneira organizada, queremos trazer propostas também”, afirmou.

 Novo projeto que também não agrada a CUT

Mais cedo,  após reunião com investidores norte-americanos, em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo não deve utilizar o texto da reforma da Previdência que tramita na Câmara dos Deputados, apresentado ainda no governo de Michel Temer.

A nova proposta, mais complexa, inclui não apenas a reforma do atual sistema, mas a implantação do novo sistema de capitalização . Com a apresentação de um novo projeto, a reforma deve levar mais tempo para ser aprovada, previsto em cerca de quatro meses.

O ministro também defendeu uma nova modalidade de contratação trabalhista, por meio da chamada carteira de trabalho verde e amarela, que seria a porta de entrada para o regime de capitalização previdenciária. Para o presidente da CUT, essa modalidade precariza as contratações trabalhistas. “Uma coisa é emprego, outra coisa é bico, não vamos confundir as coisas”, disse após a reunião com Mourão .

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