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Moro foi contra delação de Eduardo Cunha, revelam diálogos

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Revista publica novas conversas entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol; Moro absolveu Cláudia Cruz, esposa de Cunha

Diálogos divulgados pela revista Veja, em parceria com o site Intercept, revelam que o ex-juiz Sérgio Moro foi contra a delação premiada de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e o principal arrecadador de campanhas do PMDB.

De acordo com a reportagem, no dia 5 de julho de 2017, Moro questiona Dallagnol sobre rumores de um acordo do político. “Espero que não procedam”, diz.

Dallagnol responde: “Só rumores. Não procedem. Cá entre nós, a primeira reunião com o advogado para receber anexos (nem sabemos o que virá) acontecerá na próxima terça. Estaremos presentes e acompanharemos tudo. Sempre que quiser, vou te colocando a par”.

Moro responde: “Agradeço se me manter informado. Sou contra, como sabe”. Um mês depois, o MPF rejeitou a delação de Cunha.

Cláudia Cruz foi absolvida

Quando juiz, Sérgio Moro absolveu Cláudia Cruz, mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, porque diz que não ficou provado, não foi possível rastrear na conta que ela tinha na Suíça recursos oriundos da Petrobrás. 

Cláudia Cruz era acusada por ter utilizado valores provenientes de corrupção praticada por Eduardo Cunha em compras de luxo no exterior. Os valores teriam sido obtidos pela interferência de Cunha na contratação, pela Petrobras, de uma plataforma de petróleo em Benin. Cunha foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão pelo crime em processo separado.

Moro afirmou na sentença que não há nada de errado nos gastos, mas que eles são extravagantes e inconsistentes para ela e para sua família, o que deveria ter sido percebido por Cláudia Cruz.

“Embora tal comportamento seja altamente reprovável, ele leva à conclusão de que a acusada Cláudia Cordeiro Cruz foi negligente quanto às fontes de rendimento do marido e quanto aos seus gastos pessoais e da família. Não é, porém, o suficiente para condená-la por lavagem de dinheiro”, disse o juiz.

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Moro determinava datas de operações do MPF

Ainda de acordo com a revista, Moro interferia nas datas em que as operações seriam feitas. Num diálogo em 7 de julho de 2015, um membro da força-tarefa do MPF que Veja identifica como o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima diz ao delegado da Polícia Federal Igor Romário que o juiz havia sugerido uma data para uma ação.

“Igor. O Russo (apelido de Moro) sugeriu a operação do professor para a
semana do dia 20″. Igor responde: “Opa…beleza…Vou começar a organizar”.

Segundo a publicação, o “professor” era o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, que presidiu a Eletronuclear. Em 13 de outubro de 2015, o procurador Paulo Galvão também fala com o colega Roberson Pozzobon sobre uma orientação do juiz. “Estava lembrando aqui que uma operação tem que sair no máximo até por volta de 13/11, em razão do recesso e do pedido do russo (Moro) para que a denúncia não saia na última semana”. Pozzobon responde: “Concordo PG, uma grande operação por volta desta data seria o ideal. Ainda é próximo da proclamação da república. rsrs”.

Segundo Veja, o diálogo trata da operação que prendeu José Carlos Bumlai,
amigo do ex-presidente Lula, em 24 de novembro. O pecuarista foi denunciado em 14 de dezembro, última semana antes do recesso, e Moro aceitou a denúncia no dia seguinte.

Outro lado

Segundo Veja, Moro e Deltan não quiseram receber a reportagem e se
recusaram a receber os arquivos pessoalmente, condição que a revista
estabeleceu para ouvir a posição dos citados.

Em nota enviada à revista, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, mesmo sem ter conhecimento sobre o conteúdo da reportagem, informou que Moro “não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente e que configuram violação de privacidade” e reiterou “que o ministro sempre pautou sua atuação pela legalidade”.

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