Brasil

Mordomo do MDB gastou até R$ 201 mil por ano com presidente do Senado

Dados obtidos pelo Metrópoles mostram despesas do “administrador da residência oficial” nas gestões de Eunício Oliveira e Renan Calheiros

Há 13 anos trabalhando como servidor comissionado no Senado Federal, Francisco Joarez Cordeiro Gomes é considerado o mordomo de luxo da residência oficial da presidência da Casa. Contratado por Renan Calheiros (MDB-AL) ainda na primeira das suas administrações, Gomes foi o homem de confiança dos emedebistas, que se revezaram no poder de 2006 até o início deste ano.

Coube a Francisco Gomes coordenar todos os acontecimentos na mansão. Apesar de ter no contracheque a função de assistente parlamentar sênior – com vencimentos aproximados de R$ 20 mil –, é chamado pelos senadores e servidores de “administrador da residência oficial”. A confiança no funcionário comissionado é tanta que ele tem um dos poucos cartões corporativos do Senado em seu nome. Além disso, é o responsável por fazer todas as compras para o imóvel.

O Portal Metrópoles teve acesso aos extratos dos cartões corporativos do Senado de 2015 a 2018. Nesse período, a residência oficial foi ocupada por Renan Calheiros e por Eunício Oliveira (MDB-CE). Ao longo dos quatro anos, o mordomo gastou exatos R$ 719.270,84 com os cartões, também conhecidos como suprimentos de fundos.

Entre os dois emedebistas, quem mais esbanjou foi Calheiros. Em 2015, o então presidente do Congresso autorizou que o administrador comprasse R$ 118 mil em alimentos e demais produtos para a residência. O volume se destaca quando comparado aos demais gastos de todo o Senado. À época, a Casa possuía aproximadamente 50 cartões do tipo, que consumiram, juntos, R$ 47 mil. Ou seja, só Francisco Gomes usou 71% da verba dos suprimentos de fundos daquele ano.

Em 2016, o mordomo informou ter desembolsado R$ 211 mil em compras para a então residência de Renan Calheiros e sua família. O valor representou 67% do total despendido pelo Senado durante os 12 meses daquele ano nos cartões corporativos. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do parlamentar afirmou que “um presidente não tem como saber sobre os gastos de um funcionário que é responsável pelas despesas”.

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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