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Resenha Política

Milicianos virtuais querem convencer que garimpo é um bom negócio

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A íntegra da coluna Resenha Política, de Robson Oliveira

DESMONTE – Todas as políticas ambientais que o país vinha adotando, em particular as mais restritivas, passaram a ser alvo das milícias virtuais ligadas às redes de defesa do presidente Jair Bolsonaro. O próprio presidente tem fornecido o material bélico ao fazer críticas ácidas contra a atuação preventiva do Ibama e, recentemente, contra a divulgação dos percentuais alarmantes das ações predatórias de desmatamento feita pelo Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais -, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação.   

MILÍCIAS – Há poucos dias o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, se reuniu com os madeireiros do município de Espigão do Oeste, localidade onde criminosos ataram fogo num carro tanque que levava combustível para abastecer as viaturas que fiscalizam a área. No local prometeu liberar as autorizações para que as empresas voltem a explorar o vegetal, mas não abriu um minuto em sua agenda para ouvir os povos indígenas, vítimas das ações predatórias dos maus madeireiros e garimpeiros.

GARIMPO – O principal garimpo de diamante na Amazônia está localizado exatamente em Espigão do Oeste, em Rondônia. Há uma campanha em alguns setores da sociedade desinformada exigindo que o Governo Federal libere a lavra de exploração desse garimpo que, por coincidência, está sob a reserva indígena da etnia Cinta Larga. O “clamor” pela liberação da garimpagem não leva em conta os danos causados por outros que fizeram de Rondônia em tempo pretéritos uma terra sem lei e com problemas sociais dela decorrente insolúveis. Poucos enriqueceram com a garimpagem da cassiterita e do ouro. Quem visita aqueles garimpos (Tamborete, Araras, Bom Futuro, entre outros) confirma que essas atividades trazem mais problemas do que riquezas. Embora os milicianos virtuais deturpem a realidade por interesses inconfessáveis.

MADEIRA – O setor vegetal já foi responsável por boa parte das economias municipais. Como são recursos exauríveis, vários municípios devastaram toda a floresta e hoje passaram a utilizar o solo para a pecuária e, mais recentemente, a lavoura da soja. A afirmação de que a fiscalização exercida pelos órgãos ambientais para conter a ação predatória em nossas reservas põe em risco a economia rondoniense é mentira e serve apenas a um pequeno setor aboletado na burocracia das entidades patronais, esperando uma oportunidade para extrair a madeira de forma clandestina.

ERRO – Quem tem plano de manejo e trabalha dentro das normas legais não tem preocupação com as fiscalizações. O erro estatal é colocar eventualmente no mesmo saco de pancadas os que exploram a madeira de forma correta com os criminosos. No entanto, são poucos os casos em que os erros ocorrem e quando acontecem são imediatamente desfeitos.

COLIGAÇÕES – As eleições municipais de 2020 acabam com uma prática nefasta ao sistema eleitoral ao colocar limites aos presidentes de partidos cartoriais que se formavam somente para coligações. Nas eleições passadas, os dirigentes dos partidos denominados nanicos perambulavam nas cercanias dos diretórios de partidos grandes na tentativa de oferecer a legenda para uma coligação. O objetivo era apenas servir de escada eleitoral para os candidatos proporcionais das chapas com nomes aparentemente mais densos eleitoralmente. A farra da “venda” de legenda acabou.

LÁBIA – Quem se filiar numa legenda para disputar as eleições de vereança, por exemplo, vai ter que contar apenas com a soma dos votos dos candidatos da mesma legenda para ser eleito. Antes, os dirigentes desses partidos passavam a lábia nos filiados e vendiam a legenda; a partir das eleições municipais do ano que vem quem quiser ser eleito, sem mais a ajuda dos votos dos outros partidos, vai ter que gastar muita lábia junto à população para conquistar o voto de um eleitor cada vez mais incrédulo.

MALFEITOS – Parece que as ações policiais que expõem as escâncaras das administrações públicas e tem levado ao vinagre vários gestores, não estão servindo de exemplo para conter a sanha de malfeitos de alguns alcaides. A coluna recebeu de uma fonte relatos sobre duas administrações municipais no interior rondoniense que vão sofrer muitos constrangimentos. As investigações estariam em fase de maturação e os alcaides em putrefação.

DESBARRANCAMENTO – As obras de revitalização na Estrada de Ferro Madeira Mamoré estão ficando bonitas e o problema de parte da obra que desmoronou rio abaixo, de responsabilidade da Santo Antônio Energia, ao que parece, é um erro de engenharia que deverá ser solucionado pelos próprios técnicos da empreiteira contratada. Ainda bem que a falha aconteceu antes que a obra tivesse sido concluída, senão viraria motivo de chacota e quem a recebesse pagaria mico e um desgaste monumental. Vários prefeitos que passaram pelo paço municipal da capital prometeram revitalizar o local, alguns gastaram fortunas sem que as obras fossem percebidas, com o enrocamento em execução para conter a erosão e a queda do leito do rio, as obras passaram a ser perceptíveis. E vistosas.

CICLOVIA – Não caiu bem reservar a margem direita da pista que passa na frente do aeroporto para uma ciclovia. É a menor ciclovia do mundo e não tem serventia alguma, exceto para corroborar com a exploração de um malfadado estacionamento que atende aos usuários do aeroporto. Aquela ciclovia é coisa combinada e, no mínimo, vergonhosa. Ato de quem confunde os interesses públicos  com os privados. O correto é as autoridades municipais desmarcarem aquele pedaço de asfalto, cessando assim a vergonhosa obra.

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