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Mais importante e mais urgente que a reforma da Previdência é a reforma tributária e fiscal

Governo Bolsonaro erra o foco e acredite, Brasil não vai quebrar se Previdência não for aprovada, mas sem uma reforma tributária, a situação só vai piorar

Jair Bolsonaro não entende de economia. Deixou isso muito claro durante a campanha eleitoral. E seu “posto Ipiranga”, o economista Paulo Guedes responsável pelos rumos econômicos do país está mais preocupado em atender os interesses do mercado financeiro que os da população brasileira. A reforma da previdência, que deve pautar o ano de 2019 só interessa aos bancos da forma como está sendo proposta. O tal “sistema de capitalização” nada mais é que um “baú da felicidade”, onde você paga um carro e no final recebe uma batedeira.

As projeções e previsões do guru de Bolsonaro não passam de números manipulados para iludir a classe média, doida para se ver livre dos achaques promovidos pelo governo, e sonha em ter privilégios como tem os militares e os servidores públicos de primeiro escalão, esses sim, responsáveis pelo rombo previdenciário.

Mas, o problema real do Brasil está mais abaixo. Na classe dos empresários micro, pequenos e médios, que tentam gerar emprego e sobreviver fazendo malabarismos fiscais, em um jogo de gato e rato com a Receita Federal e outros órgãos de controle.

O Brasil precisa urgente de uma reforma tributária, reduzir a carga sobre as empresas, cobrar dívidas dos gigantes que nunca pagam suas contas, como Itaú, Bradesco, Santander e outros notórios devedores do fisco que são privilegiados com manobras ficais e nunca são punidos.

A mini-reforma trabalhista aprovada por Michel Temer deu um pequeno alívio, estancando a sangria provocada por inúmeras ações na justiça do trabalho. Mas foi como colocar um band-aid em um corte profundo, tampou, mas o sangue segue jorrando pelos lados.

Paulo Guedes é um homem do mercado financeiro. Sua vida empresarial se resume a fazer jogadas para ficar rico, operando papéis e números. Se a reforma tributária não for feita com urgência o Brasil não vai quebrar daqui a 10, 20 anos, vai quebrar ano que vem.

Não tem como uma reforma previdenciária aumentar a geração de empregos, isso é devaneio. Já uma reforma tributária abriria milhares de postos de trabalho automaticamente. As empresas querem e precisam crescer, mas para isso tem que pagar menos impostos. A continuar no ritmo atual, teremos mais gente na informalidade. As empresas médias passando a ser pequenas, as pequenas micros e na sequência indo para a informalidade, sonegação e aumento de desemprego.

Se as empresas vão bem, a aposentadoria é a menor das preocupações, já que o dinheiro vai estar circulando e quem quiser que faça uma previdência privada, ou complementar. Não adianta ter crédito se a pessoa não tem dinheiro para pagar. Estamos formando uma geração de escravos que vão passar o resto da vida trabalhando para pagar bancos sem ter nenhuma perspectiva de melhora financeira.

Bolsonaro perde um tempo precioso que o brasileiro não tem. Tinha que estar promovendo um pacote de mudanças, a começar pela tributária. Com ela ficaria muito mais fácil passar a previdenciária. Também deveria estar apresentando um plano para acabar com o monopólio de energia, água, gás e combustível. Se é para entrar no livre mercado, que tenhamos empresas para disputar preço e oferecer serviços de qualidade, ou ao menos nos dar opções de escolha. Eu adoraria comprar energia que não fosse da Energisa, ou ter água que não fosse da Caerd e combustível que não fosse apenas da Petrobrás.

O Brasil é uma democracia meia boca, com um capitalismo ainda mais capenga. Na house of Paranauê de Bolsonaro, só os bancos estão faturando alto. Mas, isso eles já faziam no governo do PT. De novo mesmo nesse governo, só os escândalos. Nós continuamos patos.


Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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