Decisão de Fux proibiu ilegalmente entrevista de Lula durante o processo eleitoral

A polêmica proibição de entrevista do ex-presidente Lula ao jornal Folha de São Paulo durante o período eleitoral em 2018, pelo ministro do STF Luiz Fux, foi comemorada com entusiasmo pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava-Jato em Curitiba em um grupo do Telegram, composto por outros integrantes da operação, denominado “Filhos de Januário “. A liminar de Fux seria derrubada em abril deste ano, por decisão do presidente do STF, Dias Toffoli em retaliação a uma decisão de Alexandre de Moraes, que revogou a censura à revista Crusoé e ao site O Antagonista, que haviam publicado reportagem sobre Toffoli.

O site Intercept Brasil divulgou nesta terça-feira, áudio do procurador que foi enviado no grupo, onde todos estavam preocupados “com a volta do PT” através da eleição de Fernando Haddad. A procuradora Ana Carolina Resende chegou a dizer que “estava rezando” para que isso não ocorresse:

Na ocasião, os promotores e procuradores estavam apreensivos porque o ministro Ricardo Lewandowski, seguindo o que determina a lei, autorizara Lula a conceder uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Em um grupo no Telegram, os procuradores imediatamente se movimentaram, debatendo estratégias para evitar que Lula pudesse falar. Para a procuradora Laura Tessler, o direito do ex-presidente era uma “piada” e “revoltante”, o que ela classificou nos chats como “um verdadeiro circo”. Uma outra procuradora, Isabel Groba, respondeu: “Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

No dia 28 de setembro de 2018, Deltan Dallagnol envia as seguintes mensagens ao grupo:

De acordo com o Intercept, “No passado, Dallagnol era o maior entusiasta das garantias que foram justamente a base para a decisão de Lewandowski autorizar a entrevista de Lula. Em novembro de 2015, como o Intercept publicou, Deltan alertou seus colegas que investigar jornalistas que publicavam material vazado não seria apenas difícil mas “praticamente impossível”, porque “jornalista que vaza não comete crime”. Naquele época, ele era um dos principais defensores da importância de uma imprensa livre em uma democracia, um princípio que abandonou quando poderia, aos seus olhos, ajudar o PT a vencer a eleição“.

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