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Indígenas repudiam laudo da PF sobre “afogamento” de liderança e vídeo com imagens de ferimentos circulam na web

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O corpo do líder indígena Emyra Waiãpi foi encontrado morto na mata no dia 23 de junho, no Amapá; laudo da PF foi divulgado na sexta-feira (16)

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou nota de repúdio ao laudo necroscópico do corpo do líder indígena Emyra Waiãpi . O documento preliminar, divulgado na última sexta-feira pela Polícia Federal, não apontou evidências de que Emyra morreu durante algum tipo de confronto e constatou que a causa provável da sua morte foi afogamento.

O laudo, portanto, contradiz a versão inicial de que a vítima teria sido assassinada a facadas por invasores da terra indígena localizada no Oeste do Amapá .

“Um verdadeiro absurdo! Este laudo contradiz o testemunho de indígenas que lá estavam corroborados pela APINA – Conselho das Aldeias Wajãpi, além do relato da prefeita de Pedra Branca, do comandante da PM, coronel Paulo Mathias, e de outras autoridades que acompanharam de perto caso e que afirmam que haviam sim indícios claro de que um assassinato foi cometido!”, diz a nota, publicada no site da APIB.

O texto cita também a prisão de um garimpeiro no dia 8 de agosto na Reserva Extrativista Brilho de Fogo, em Pedra Branca do Amapari, a oeste da Terra Indígena Waiãpi . Ainda segundo a nota, com ele, teriam sido apreendidas duas espingardas calibres 12 e 20, além de mantimentos e farta munição.

A autópsia no corpo de Emyra também foi alvo de críticas por parte de membros da APIB.

“Uma autoridade local, que prefere não ser identificada, informou inclusive que a autópsia foi feita apenas com um pedaço do corpo do cacique assassinado, sem nenhum rigor, mesmo diante da autorização do povo Wajãpi, que em prol da verdade, passaram por cima de suas crenças e autorizaram a exumação do corpo”.

O corpo de Emyra Waiãpi foi encontrado na mata no dia 23 de junho. Ele era uma das principais lideranças da etnia. O laudo, segundo a PF, “não encontrou lesões de origem traumática que pudessem ter ocasionado o óbito”.

Porém, um vídeo que circula em redes sociais e foi compartilhado por várias personalidades, contradiz o laudo da Polícia Federal. As imagens mostram ferimentos na cabeça e no corpo da líder indígena:

Ver essa foto no Instagram

Repost @342Amazonia Laudo preliminar da Polícia Federal publicado na sexta-feira, 16 de agosto, sugere que a morte do Cacique Emyra Wajãpi está associada “fortemente a ocorrência de afogamento”. No entanto, relatórios sucessivos e imagens divulgadas pelo povo Wajãpi, mostram o corpo do Cacique cheio de ferimentos e coloca em cheque a tese de um simples afogamento. As autoridades tentam encerrar o caso e descredibilizar a palavra dos indígenas. O @342Amazonia se coloca ao lado do povo Wajãpi, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados e da @apiboficial, exigindo apurações sérias e que medidas sejam tomadas para a garantia da segurança do território e povo Wajãpi. #SosWajãpi #PovoWajãpi #SosAmazonia #342Amazonia

Uma publicação compartilhada por Patricia Pillar (@patriciapillar) em

Quem são os indígenas

O povo wajãpi é guardião de uma terra rica em ouro e ferro de cerca de 607 mil hectares, uma área equivalente a quatro cidades de São Paulo delimitada pelos rios Oiapoque, Jari e Araguari, no oeste do Amapá.

Chegaram ao local depois de uma travessia épica pelo rio Amazonas. Descendentes dos Guaiapi, falantes da língua da família Tupi, os wajãpi saíram do baixo rio Xingu, no norte do Pará, no século 18 rumo ao território hoje ocupado pelo Amapá e pela Guiana Francesa.

Sempre mantiveram o estilo de vida, tradições, rituais e autonomia. Vivem da caça e da agricultura e tentam defender sua terra como podem – com arcos, flechas, lanças e até armas de fogo, estas devidamente registradas e autorizadas pela Polícia Federal, segundo eles, e com a ajuda de organizações governamentais e não governamentais.

Homologada e registrada em 1996, a terra indígena wajãpi, localizada entre os municípios amapaenses de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari, é cobiçada por garimpeiros e caçadores de peles de animais e tem sido alvo de invasões frequentes.

Desde os anos 1970, os wajãpi têm uma relação conturbada e traumática com garimpeiros e mineradores. No início dos anos 1970, uma epidemia de sarampo, disseminada após contato com homens brancos, causou a morte de quase cem indivíduos wajãpi, incluindo adultos e crianças.

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