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Brasil

Homem ao lado de José Dirceu em foto é policial e não o pai do presidente da OAB

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Notícia que circula em grupos de Whatsapp é falsa

Circula nas redes sociais uma foto em preto-e-branco que mostra um homem armado, dentro de um automóvel, ao lado do ex-ministro José Dirceu. Uma legenda diz se tratar do militante Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai de Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Oliveira integrou a Ação Popular Marxista Leninista (APML), organização de esquerda que lutou contra o regime militar, e foi morto por agentes do Estado, depois de ser preso.

Por meio do projeto de verificação de notícias, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Esse ao lado de José Dirceu é Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB Nacional”

Legenda de foto que, até as 11h30 de 31 de julho de 2019, tinha mais de 2,7 mil compartilhamentos no Facebook

FALSO

É falsa a informação de que o homem ao lado de José Dirceu é o pai do presidente da OAB. Trata-se na verdade de Herwin de Barros, o Brucutu, ex-agente do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), um dos principais órgãos de repressão da ditadura. A imagem foi feita após a prisão do então líder estudantil, durante a tentativa de realizar clandestinamente o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em um sítio em Ibiúna, no interior de São Paulo, em 1968.

Barros falou sobre o episódio em reportagem publicada na edição nº 1.841 da IstoÉ, de 26 de janeiro de 2005. Uma outra versão da foto, que aparece na capa da revista, mostra Barros, Dirceu e o líder estudantil Antônio Ribeiro Ribas depois que os dois últimos foram detidos. Existe ainda uma imagem em que o próprio Barros segura uma reprodução dessa imagem. O fotógrafo Alfredo Rizzutti, do Estadão, também registrou a cena na época, de um outro ângulo.

Reprodução
Reprodução

Em depoimento disponível no YouTube, o ex-agente conta em detalhes como ocorreu a prisão. Diz, que, para conduzir os militantes estudantis, usou apenas um ancinho e um pedaço de pau. Ele não quis carregar uma arma de fogo no momento da detenção, por serem estudantes, e só aparece com a espingarda dentro do carro. A mesma versão foi repetida em depoimento ao jornalista Fernando Morais.

Em outra entrevista, Barros disse que tinha ordens da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos para assassinar Dirceu, mas preferiu não cumprir a determinação. Por isso, afirmou que teve a carreira na polícia prejudicada. Ele concluiu um treinamento da CIA pouco antes do início da ditadura, em 1964, e tinha um vínculo com o órgão. O ex-agente do Dops morreu em 2015.

Essa checagem também foi feita pelo Aos Fatos.

Nota: esta reportagem faz parte do projeto de verificação de notícias no Facebook. Dúvidas sobre o projeto? Entre em contato direto com o Facebook

Editado por: Chico Marés – Yahoo Brasil

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