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Geopolítica

“Desastroso” e “doente”, Bolsonaro optou por “mediocridade”, diz Lula; veja a entrevista

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Entrevista concedida pelo ex-presidente em 3 de maio de 2019

O ex-presidente Luiz lnácio Lula da Silva diz que Jair Bolsonaro tem um começo de mandato “desastroso”, “é um doente” por facilitar a posse e porte de armas, fez opção pela “mediocridade” na política econômica e deveria governar para o “povo brasileiro” e não para “milicianos”. Ele disse isso em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, para um programa da BBC News.

Assista a entrevista acima. Abaixo, trecho da transcrição da conversa. Para ler a íntegra, CLIQUE AQUI para ver no blog de Kennedy

Segundo Lula, “a facada [que o atual presidente da República sofreu durante a eleição em setembro passado] o protegeu de mostrar quem ele é na verdade, se ele tivesse participado dos debates”. O petista avalia que a Lava Jato poderia “ter cumprido uma tarefa importante de prender ladrão”, mas virou um “partido político”.

Lula admitiu que pode ter cometido um erro ao não ter sido candidato a presidente em 2014. “Eu, às vezes, lamento por não ter sido mais incisivo com a Dilma para que ela fizesse algumas coisas.”

A entrevista foi realizada no dia 3 de maio em Curitiba, às 10h, na Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Ao final do texto, há declarações de Bolsonaro, Sergio Moro e de Deltan Dallagnol.

*

Kennedy Alencar – Eu quero começar, presidente…

Luiz Inácio Lula da Silva – Eu queria fazer só uma ponderação, que você falasse um pouco mais alto.

KA – Tá bom.

Lula – A idade vai diminuindo a audição.

KA – Eu vou falar mais alto, tá bom. Quando o sr. foi presidente do Brasil, que papel o Brasil passou a ocupar no cenário mundial?

Lula– Olha, eu tinha alguns compromissos com o Brasil e com a minha história. Antes de dizer esses compromissos, eu queria, primeiro, agradecer a entrevista. Dizer que é uma oportunidade extraordinária que você está me dando de poder colocar a verdade nua e crua, sempre desafiando qualquer empresário, qualquer juiz, qualquer promotor a provar qualquer deslize da minha conduta ética e moral neste país, da minha honestidade. E reafirmar que há um inquérito mentiroso a meu respeito, uma acusação mentirosa e um julgamento mentiroso. E disto eu faço questão _tenho uns 20 anos de vida pela frente_, de tentar provar a farsa e a montagem que fizeram para poder me colocar aqui.

KA – Nós vamos falar desses casos específicos, mas agora eu queria falar um pouco da sua Presidência.

Lula– Quando fui presidente da República, eu tinha um compromisso com a minha história e tinha um compromisso com o povo brasileiro. Ou seja, eu precisava provar que o Brasil tinha possibilidade de crescer, tinha possibilidade de melhorar a vida do povo. E você veja que eu fui muito comedido no meu discurso depois da vitória. Eu disse apenas o seguinte: se, ao terminar o meu mandato, cada brasileiro ou brasileira estiver tomando café da manhã, almoçando ou jantando, eu já terei cumprido a tarefa da minha vida. Foi com base nisso que eu fui a Davos anunciar o Programa Fome Zero, antes de anunciar em Porto Alegre, no encontro social [Fórum Social Mundial de 2003] que houve em Porto Alegre. E eu queria provar que os economistas não davam conta de resolver os problemas do Brasil com as discussões teóricas que eles faziam. No Brasil, sempre se discutia: é preciso crescer para distribuir ou distribuir para crescer. E nós chegamos à conclusão de que era preciso fazer os dois concomitantemente: era preciso crescer distribuindo e distribuir crescendo. Não dava para fazer as pessoas esperarem, como o meu amigo Delfim Neto dizia: “Primeiro, o bolo vai crescer. Quando o bolo crescer, vamos distribuir”. O bolo crescia, alguém comia, e o povo ficara esperando. E nós, então, resolvemos fazer isso. Eu também tinha como objetivo mudar a geopolítica internacional, fazer com que o Brasil passasse a ser protagonista da política internacional. Eu já contei com a ajuda de muita gente. Tive a ajuda de muitos presidentes. Me sinto honrado de ter tanta gente que contribuiu comigo. Todos os presidentes do mundo contribuíram comigo, me tratavam bem, me respeitavam bem, a ponto de o presidente do FMI [Fundo Monetário Internacional] chorar duas vezes comigo, discutindo a solução dos problemas brasileiros. E eu, quando deixei a Presidência, tenho muito orgulho, porque o Brasil virou protagonista. Fui o único presidente do Brasil a participar de todas as reuniões do G8, menos a feita em São Francisco, convidada pelo Bush, que foi a segunda. E eu fui um dos artífices da criação do G20 para discutir a crise de 2008. O Brasil virou protagonista, o Brasil passou a ser respeitado, o Brasil passou a ser levado em conta. Os brasileiros que viajavam tinham orgulho de viajar com o passaporte brasileiro. E o Brasil estava propenso a se transformar na quinta economia do mundo.

KA – Presidente, como o sr. descreveria a forma como o Brasil e o sr. foram tratados desde o momento em que o sr. deixou a Presidência com uma popularidade alta… o Brasil parecia um modelo emergente, de poder emergente?

Lula– Vamos levar em conta uma coisa que eu digo para tentar fazer as pessoas entenderem o que aconteceu com a Dilma, que é um pouco parecido com o que aconteceu com o Fernando Henrique Cardoso, com uma diferença: o Fernando Henrique Cardoso tinha o [Michel] Temer na Presidência da Câmara, tentando ajudar a aprovar as reformas; e a Dilma ganhou de presente o Eduardo Cunha, que trabalhava para não aprovar nada, para tentar fazer as chamadas… Como é que fala? As propostas-bomba…

KA – Pautas-bomba.

Lula– As pautas-bomba. A Dilma mandava exonerar esse copo, e vinha não apenas o copo, mas também a garrafa, o bar, a esquina, a rua. Na verdade, trabalharam para prejudicar a presidenta Dilma. Essa foi a diferença básica. A segunda coisa, é importante lembrar, é que a Dilma, em 2012, tinha 75% de aprovação. Era a maior aprovação de um presidente naquela época, até mais do que eu, no final do seu primeiro mandato. Ora, então a Dilma estava bem. Quando é que se desarranjaram? Eu acho que houve um descuido no trato da política externa. Porque eu tratava [da política externa] com muito carinho. Eu sempre achava que política você não faz por e-mail, política você não faz por fax, política você não faz por Instagram, política você não faz por WhatsApp. Política é olho no olho.

KA – A Dilma subestimou, desprezou a política externa?

Lula– Houve uma mudança. Obviamente, você não encontra um Celso Amorim em cada esquina do planeta Terra. O Celso Amorim, quando ele estava na ativa, eu o tinha como o mais importante ministro de Relações Exteriores do mundo. Eu sei o quanto o Celso era levado em conta. Eu sei o quanto o Celso era respeitado pela China, pela Rússia, pelos Estados Unidos. O Colin Powell, que era Secretário de Estado americano, para escrever alguma coisa sobre a Venezuela, ligava para o Celso Amorim. Obviamente, a Dilma não teve o Celso Amorim. Ela escolheu outro companheiro e não teve o mesmo resultado. E política externa significa você ganhar confiança, significa você conversar com as pessoas, significa você ter paciência, significa você ouvir. E eu fazia isso com prazer, porque eu sonhava estrategicamente em ter o Brasil entre os principais países do mundo na decisão da geopolítica internacional. É por isso que nós criamos o BRICS, que nós criamos o IBAS, que era Brasil, África do Sul, China e Índia. A China queria entrar, e a gente não deixava porque a China não era democrática.

KA – Presidente, por que aconteceu com o sr. e com o Brasil o que aconteceu?

Lula– Quando houve o impeachmentda Dilma _um impeachment, eu diria, com base numa mentira deslavada, com base numa farsa montada_, eu tinha a certeza de que o processo contra a Dilma era o início de um processo que teria que terminar em mim. Você deve ter conversado comigo algumas vezes, e eu disse o seguinte: o impeachment não termina se não passar pelo Lula, porque eu não conseguia enxergar como é que tiravam a Dilma para deixar o Lula voltar para a Presidência do Brasil.

KA – E por que tinha que tirar o Lula?

Lula– Olha, eu penso que no Brasil nós temos um problema psicológico coletivo na elite brasileira, que é não suportar a ascensão das camadas mais pobres do Brasil. Incomoda. É triste, mas incomoda os pobres estarem ocupando as praças que eram dos ricos, os pobres estarem frequentando os restaurantes, os pobres estarem viajando nos aviões que eles viajavam, os pobres estarem ocupando um espaço de ascensão social que não estava previsto na elite brasileira desde o fim da escravidão. É importante lembrar, para a gente dizer o número correto, é que nesse período nós tínhamos tirado 36 milhões de pessoa da miséria absoluta e tínhamos elevado 42 milhões de brasileiros e brasileiras a um padrão de consumo de classe média baixa. Ou seja, as pessoas passaram a gostar de si mesmas. As pessoas passaram a estudar. Você acha que as meninas pobres do ProUni [Programa Universidade para Todos] eram tratadas com deferência nas universidades? Não eram, não! Outras meninas, ao invés de ficarem orgulhosas de terem uma pobre na sua sala, às vezes tinham raiva. Você acha que as pessoas gostavam de a gente financiar o FIES [Fundo de Financiamento Estudantil]? Não, só quem recebia gostava. Você acha que as pessoas gostavam de eu ser um cara que só tem o quarto ano primário e ser o presidente que mais fez universidades na história deste país, que mais cuidou do ensino fundamental, que mais cuidou do ensino técnico neste país? Você acha que eles admitiam isso com facilidade? Então, eu penso que esse preconceito e essa coisa de não deixar o PT voltar para não permitir mais a continuidade da ascensão social… Eles sabiam que, comigo, a coisa iria acontecer. Eu voltaria muito mais calejado, muito mais preparado. Porque uma coisa sobre a qual você deve se informar, até para me ajudar, é a seguinte: por que os empresários, até julho de 2014, faziam procissão, faziam fila no Instituto [Lula], para pedir para eu ser candidato à Presidência da República?

KA – Por quê?

Lula– Ora, porque eles sabiam o que tinha acontecido no meu período de governo. Eles sabiam o quanto eles tinham ganho. Eles sabiam o quanto foi bom para a economia brasileira, o quanto foi bom para a indústria naval, o quanto foi bom para a Petrobras, o quanto foi bom para a indústria de etanol, o quanto foi bom para o pequeno e médio investidor. Eles sabiam disso. Depois que eu disse que não queria ser candidato, porque era um direito da Dilma ser candidata, essa gente bandeou, e não para o PT: essa gente bandeou para os tucanos.

KA – Foi um grande erro do sr. não ter sido candidato em 2014.

Lula– Pode ter sido um erro meu, mas foi um erro em respeito ao direito da Dilma. Tinha muita gente que queria que eu fosse candidato, e eu dizia o seguinte: ela é a presidenta, ela tem o direito de querer ser candidata. A única chance de eu ser seria se ela tivesse me procurado e falado: “Presidente Lula, eu acho que você deveria voltar”. Fora disso, não tinha hipótese.

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EUA retiram Brasil da lista de países em desenvolvimento; medida pode restringir benefícios comerciais

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Além do Brasil, EUA alterou status da África do Sul, Índia e Colômbia

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos (EUA) publicou uma nota nesta segunda-feira (10) informando que retirou o Brasil da lista de países em desenvolvimento, o que pode restringir benefícios comerciais concedidos às nações que estão nessa categoria.

Além do Brasil, mais 18 países como África do Sul, Índia e Colômbia também foram tirados dessa lista. Com isso, o tratamento preferencial dados a esses países nas negociações pode diminuir. Esses benefícios são, por exemplo, prazos mais longos para negociar, vantagens tarifárias e de acesso a mercados.

A medida também diminuirá as barreiras para que o presidente dos EUA, Donald Trump, investigue, por exemplo, casos de exportações subsidiadas em outros países.

Em nota, o governo dos EUA afirma que a decisão leva em conta “fatores econômicos, comerciais e outros, como o nível de desenvolvimento de um país e a participação de um país no comércio mundial.” Além disso, o departamento de Comércio ressaltou que a decisão foi motivada por pedidos de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em março de 2019, o presidente Jair Bolsonaro viajou a Washington para pedir a Donald Trump apoio à entrada do Brasil na OCDE. Em troca, o presidente dos EUA disse que o país teria que “abrir mão” do tratamento preferencial na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ainda na nota oficial, o governo dos EUA destacou que não considerou indicadores de desenvolvimento social, como taxas de mortalidade infantil, analfabetismo e expectativa de vida ao nascer nascimento, como base para mudar o status dos países. Via G1

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Senado absolve Trump em julgamento de impeachment e ele fica no cargo

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Trump é o terceiro a sofrer um processo de impeachment e ser absolvido pelo Senado, mas primeiro a passar por isso durante campanha de reeleição

Donald Trump se tornou nesta quarta-feira (5) o terceiro presidente dos EUA a ser absolvido pelo Senado em um processo de impeachment aprovado pela Câmara. Desta forma, ele não será afastado da presidência.

Ele é o primeiro, no entanto, a passar por isso enquanto tenta se reeleger ao cargo.

Trump era acusado de abuso de poder e obstrução ao Congresso (leia mais sobre as acusações abaixo) e foi absolvido pelos votos de 52 senadores na primeira acusação (contra 48) e por 53 votos (contra 47) na segunda. Para que fosse condenado, ele teria que ser considerado culpado por pelo menos dois terços dos senadores (67 dos 100).

A absolvição está longe de ser uma surpresa. Desde que o processo foi anunciado – e antes mesmo de ser aprovado pela Câmara, em 18 de dezembro – a bancada do Partido Republicano, que ocupa a maioria do Senado, com 53 membros, afirmava que votaria para que ele não fosse condenado.

A única exceção entre os republicanos foi o senador Mitt Romney, candidato do partido à presidência em 2008 e 2012, que votou pela condenação de Trump por abuso de poder (mas contra por obstrução ao Congresso).

“O presidente é culpado de um abuso chocante da confiança pública”, disse Romney em um discurso no Senado. “Corromper uma eleição para se manter no poder talvez seja a violação mais abusiva e destrutiva do juramento ao cargo de alguém que eu possa imaginar”, acrescentou. Com agências Foto de capa – O presidente dos EUA, Donald Trump, chega ao Congresso para o discurso de Estado da União, na terça-feira (4) — Foto: Reuters/Tom Brenner

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Brasil pode perder exportação agrícola ao Irã para Argentina

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Os argentinos se prepararam para uma maior tensão entre Brasil e Irã.

A invasão de argentinos em áreas do Brasil, prevista pelo presidente Jair Bolsonaro, caso Alberto Fernández fosse eleito -eleição que ocorreu-, poderá começar pelo agronegócio. Não fisicamente, mas comercialmente.

Os argentinos se prepararam para uma maior tensão entre Brasil e Irã. Os atritos com o país persa começaram com o apoio do governo brasileiro à ação dos americanos na morte do general Qassim Suleimani, em Bagdá.

Agora, o Brasil, alinhado a Estados Unidos e Israel, sediará entre 4 e 6 de fevereiro, em Brasília, uma reunião do “Grupo de Trabalho sobre Questões Humanitárias e de Refugiados”, criado na “Reunião Ministerial de Varsóvia para Promover um Futuro de Paz e Segurança no Oriente Médio”. Na pauta da reunião, estará a busca de um maior isolamento comercial do Irã, o que preocupa o agronegócio.

No ano passado, em duas reuniões com delegações dos Estados Unidos e de Israel já havia sido solicitado ao Brasil uma posição mais dura contra o Irã, mas o Itamaraty resistiu.

A Argentina, além de atender as principais necessidades de alimentos do Irã, permaneceu neutra no conflito do país persa com americanos.

As negociações dos argentinos com os iranianos já vêm ocorrendo desde outubro e devem se intensificar a partir de agora. Está prevista uma ida de empresários do país vizinho, principalmente do agronegócio, a Teerã.

Essa missão comercial está sendo coordenada pelo Bripaem, um bloco composto por sete países da América do Sul. Edemir Schornen Bozeski, secretário de relações exteriores do bloco, diz que o objetivo é fomentar a relação entre todos os países do grupo (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai).

Assim como busca opções de comércio para o Brasil, o bloco avalia também todas as demais opções comerciais para os outros componentes. E, em uma possível freada das negociações entre Brasil e Irã, o fornecimento de alimentos para os iranianos continuaria sendo feito por um país da América do Sul, segundo ele. O bloco é composto por empresários e prefeitos.

O Irã é o quarto maior importador de alimentos do Brasil, com gastos de US$ 2,2 bilhões (R$ 9,4 bilhões) no ano passado. Cinco produtos se destacam nas compras iranianas: milho, soja, farelo de soja, carne bovina e açúcar.

À exceção do açúcar, a Argentina conseguiria substituir o Brasil nesse fornecimento.Em uma eventual ruptura das relações comerciais entre Brasil e Irã, os brasileiros perderiam um país fiel e que remunera melhor os alimentos adquiridos.

Um dos exemplos é o milho, cujo preço pago pelos iranianos supera em 11% o dos demais principais importadores.

A necessidade de compra de milho pelo Irã soma 10 milhões de toneladas, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) e o Brasil forneceu 54% em 2019, apontam dados do governo.

Com relação à soja, o Brasil não perderia muito. As importações totais iranianas atingem 1,9 milhão de toneladas, mas 84% dessas compras se concentram no Brasil.

A Argentina poderá substituir o Brasil também no farelo de soja. Isso ocorreria em um momento ruim para o Brasil. Com o aumento da produção de biodiesel, a oferta de farelo cresce e os exportadores brasileiros querem elevar a presença no mercado externo.

A carne bovina também é outra demanda iraniana, e o Brasil foi responsável pelo fornecimento de 48% do produto importado pelo país persa.Um exemplo da fricção diplomática é que importadores do Irã já manifestam que a compra da carne brasileira pode ser impactada se houver alinhamento político do governo com os Estados Unidos.

“A posição do Brasil afeta 100% a decisão dos comerciantes iranianos, que perderiam interesse em comprar porque o governo daqui para de cooperar”, disse Mohammad Hosseyn Mohammadzaman, presidente da Ghaza Faravar Penguin, via telefone de Teerã.

O empresário diz ter importado de 8 mil a 10 mil toneladas das 63 mil compradas pelo Irã no Brasil, em 2019. No ano passado, o país foi o sétimo importador de carne do Brasil, representando 3,4% das vendas ao exterior.

Em caso de eventual ruptura, empresários do setor dizem que o Irã buscaria mercados mais próximos, como Romênia e Cazaquistão, que já vendem ao país.

Os argentinos, que lideraram as exportações mundiais de carne bovina na década de 70, e perderam espaço, voltaram a crescer e teriam produto para abastecer o Irã.

Uma missão de empresários do Irã esteve recentemente no Brasil e na lista de produtos que eles querem do país estão arroz e açúcar –neste caso, os argentinos podem fornecer arroz, mas açúcar iranianos buscariam na Índia.

As opções ideológicas do governo podem complicar a vida de um dos setores mais dinâmicos da economia nos últimos anos. Além disso, o alinhamento ideológico com os EUA tem pouco a acrescentar ao agronegócio, uma vez que os dois países são concorrentes em praticamente todos os produtos.

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