Connect with us

Regional

Delegado da Civil de Rondônia queria prender presidente do Tribunal de Justiça, revela áudio

Publicada

em

Compartilhe

Delegados da DRACO foram afastados e corregedoria deve abrir procedimentos 

Resumo da notícia

  • Áudio de delegado revela intenção de prender presidente do TJRO
  • Ele afirma que a promotora do Meio Ambiente teria concordado em esconder de colega do MPRO informação sobre investigação que citava o diretor geral da Polícia Civil
  • Delegado é o mesmo que admitiu ter induzido magistrado a erro na Operação Pau Oco

“Vocês iriam perder o gostinho, de passar a trabalhar diretamente com o Procurador Geral da República e, a gente prender o presidente do TJ”? Essa frase é atribuída ao delegado de Polícia Civil de Rondônia,  Júlio Cezar, falando em um grupo de Whatsapp, referindo-se ao desembargador Walter Waltenberg, presidente do Tribunal de Justiça. As circunstâncias que o presidente do TJRO apareceu nas investigações não foram esclarecidas.

Uma série de áudios do delegado vem sendo divulgados pelo radialista Fábio Camilo, e revelam ilegalidades cometidas pela delegacia que deveria combater o crime.

No início desta semana, um áudio do próprio delegado circulou, onde ele dizia que uma falsa transcrição havia sido encaminhada ao desembargador Oudivanil de Marins, induzindo o magistrado a erro ao deferir medidas que culminaram com a segunda fase da Operação Pau Oco, incluindo uma busca e apreensão na residência do ex-governador Daniel Pereira. O caso repercutiu fortemente e nesta quinta-feira a polícia informou o afastamento de todos os delegados da DRACO, que devem ser lotados em delegacias até que a Corregedoria apure as responsabilidades.

No novo áudio, divulgado nesta quinta-feira, Júlio Cezar fala sobre a possibilidade de prender o presidente do Tribunal de Justiça, que detém foro privilegiado. E ele faz esse alerta, “isso ai cria um problema, tá? Isso ai cria um problema a partir do que vier o relatório, você tem uma suspeição sobre o desembargador presidente do Tribunal de Justiça, ou seja, o foro sobe”. Qualquer citação a autoridades com foro deve ser comunicada a instâncias superiores, que autorizam ou não o prosseguimento das investigações. No caso do desembargador, a instância é o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Leia também:

A simples citação do desembargador já deveria ter deslocado o foro e a competência das investigações. O que não ocorreu.

Em outro áudio, o delegado afirma que a promotora responsável pelo Meio Ambiente, Aidee Maria Moser Torquato Luiz teria concordado em omitir o nome do então Diretor Geral da Polícia Civil, delegado Elizeu Muller , em uma investigação em andamento em Ji-Paraná. O delegado teria sido citado em depoimento de dois homens, presos como estelionatários, que vendiam rifas para empresários do interior em nome da Academia de Polícia Civil (Acadepol). No depoimento, eles teriam dito que tinham ‘autorização do diretor e da cúpula da Polícia Civil para a venda’.

O delegado afirma que a citação do nome do diretor deveria ter sido comunicada ao chefe do Gaeco do Ministério Público, promotor Shalimar Christian Priester Marques, apelidado por Júlio Cezar de “Thanos”. Mas, o delegado avalia que, caso o diretor fosse afastado, a operação Pau Oco perderia força, e segundo ele, a promotora teria conhecimento disso.

Delegado Júlio Cezar

Abaixo, a fala de Júlio Cézar:

“Qual o problema disso. O problema é que citando o DG (diretor geral), no âmbito do MP, isso cai na mão do Thanos (Shalimar Christian Priester Marques) titular da 26ª Promotoria de Justiça de Porto Velho – chefe do GAECO – e caindo na mão do Thanos, vocês já conseguem fazer uma dimensão de onde vai acertar a gente. A gente vai fortalecer uma coisa, enfraquecer outra, de modo que tendo o Samir no meio disso, por mera citação que seja, e já tem essa citação nos autos é um problema pra gente gerenciar porque atinge a gente. Até porque esses fatos vir pra gente apurar vira outra situação desagradável. Então, eu liguei inclusive e falei com o Alexandre, delegado de Jipa, dei uma sugesta nele pra ele pegar isso pra apurar lá e tal, ele falou que não quer, não quer mexer com isso não. Tá todo mundo escapando disso ai que é uma pica do tamanho do mundo. Então, comentei até com a doutora Aidée, e conforme falei com ela, ela falou, é realmente, se tinha conhecimento vai rodar junto. E o pior que tinha. Acreditem ou não, foi feita uma reunião na direção, pelo menos é o que consta nos autos aqui. E eu tenho certeza que aconteceu, e que o DG autoriza o estelionatário a descer em nome da Acadepol. Então tá lá a Acadepol, DG e os malas fizeram reunião na direção e ele autorizou a descer. O quanto o DG sabia dessa situação e qual o envolvimento dele do ponto de vista omissivo a gente não sabe, mas a minha opinião a única forma de escapar de uma pica, é mandar apurar rigorosamente. Acredito que não será o caso. Mas também não é caso de ligar pra ele, tô até com medo de ligar pra ele, e ele não tratar isso pessoalmente. O que eu tô enxergando é a repercussão disso pra gente, se o DG nosso cai, tô enxergando essa repercussão do ponto do vista do Daniel Pereira, do ponto de vista de outros investigados,  enfraquecer o DG enfraquece nóis ( esse que é o problema. Bom enfim, tem muito mais informação, muito mais coisa mas vou passar pessoalmente amanhã pra vocês. Vou passar em Jipa, conversar com o Alexandre, e ele já me falou que tem mais um monte de coisa, gente que pegou dinheiro, delegado que pegou dinheiro”.

Ex-diretor Geral da Polícia Civil Eliseu Muller

O ex-diretor, em entrevista à SIC TV, afirmou ter prestado contas de todos os recursos que foram arrecadados com a rifa, apresentou notas fiscais e filmagens do evento, que foi realizado.

*Nota da redação – Erroneamente havíamos citado o atual diretor geral da Polícia Civil como alvo dos diálogos do delegado Júlio Cezar. A falha foi corrigida.

LEIA TAMBÉM:

Continue lendo
Anúncios
Comentários