E ainda, Energisa quer mudar revisão tarifária em Rondônia e Acre e já comunicou “ao mercado”

O tempo e os costumes

Um episódio ocorrido no Tribunal de Justiça de Rondônia causou constrangimento a uma advogada que havia ido de calça legging e blusa sem mangas para uma audiência. Um servidor da portaria, provavelmente defensor dos “bons costumes” não apenas barrou a advogada como ainda o fez em tom de reprovação, falando alto que a moça estava “com tudo de fora”. Evidente que mulher pode (e deve) se vestir como bem entender. Isso não está sendo discutido, mas sim a forma como foi feita a abordagem e a falta de bom senso por parte do servidor. O presidente do TJRO determinou abertura de sindicância para apurar o fato, e a OAB já emitiu “nota conjunta” e fez o auê de sempre. Antes de me jogarem pedras, por favor, acompanhem meu argumento…segue o fio.

Tem que defender, mas…

Vestimenta é coisa séria. Recentemente o advogado Antônio de Almeida Castro, o Kakay, um dos mais conhecidos criminalistas do país, envolveu-se em uma celeuma por ter ido ao Supremo, em um feriado, vestindo bermuda. Foi uma confusão já que consideraram que ele estaria “desdenhando” do Supremo. Em tempos que ministros são achincalhados nas ruas, soa até como piada de mau gosto esse tipo de afirmação.

Mas, de volta a nossa advogada e a OAB

Cada roupa é adequada para um ambiente. Até onde eu sei, essas calças ‘legging’ são usadas em academias, mas não sou consultor de vestimentas, tampouco fiscal de guarda-roupas. A nota da OAB me pareceu um certo exagero. Tem que tomar providências sim, cobrar do TJRO uma conduta melhor por parte do pessoal da portaria no trato com o público de forma geral. Creio que, se uma advogada passou por isso, certamente outras “mulheres comuns” devam ter passado pelo mesmo tipo de situação sem ter tido uma OAB para lhes dar voz. Em tempos de redes sociais, de empoderamento feminino, de afirmação, o bom senso precisa prevalecer. Em todos os lados.

Falando em OAB

A entidade vai ter muito que se preocupar pela frente diante do cenário que se coloca com os avanços da extinção do Exame de Ordem. A entidade vem derrapando feio no fator político desde que chancelou o golpe em 2015. Agora surge uma ameaça real. Imagine que, se esses bacharéis não tem carteira porque não conseguem atingir 40% de um teste seletivo, o nível das peças processuais será pavoroso.

Prepara o bolso

A Energisa solicitou em dezembro de 2018 que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) alterasse o processamento de Revisão Tarifária Extraordinária (“RTE”), a ser realizada em dezembro de 2019, em substituição ao processo de reajuste tarifário anual, conforme previsto no Edital de alienação e no Contrato de Concessão das Distribuidoras. Eles querem mudar a forma de reajuste nas contas dos consumidores. Mas isso eles contaram ao “mercado”, através de um comunicado aos investidores. A mudança vai valer para Rondônia e Acre, e o prazo é dia 30 de junho. Veja o documento.

Cadê o Queiroz?

A revista Época foi atrás e descobriu “outros rolos” do assessor de Flávio Bolsonaro que empregava gato, cachorro e papagaio da família e ainda era responsável pela coleta de metade do salário dos colegas de gabinete.

Suicídio após a cirurgia bariátrica: um tema ainda pouco compreendido e estudado

A taxa de suicídio é maior nos pacientes que fizeram cirurgia bariátrica. Há bastante literatura com evidências de que, no longo prazo, os pacientes operados têm mortalidade por todas as causas significativamente menor do que as pessoas obesas que não fizeram a cirurgia, mas a mortalidade por causas como abuso de substâncias e suicídio é maior entre os que realizaram o procedimento. A cirurgia bariátrica também foi associada a aumento da autoagressão, A maior frequência de uso dos serviços psiquiátricos e presença de transtornos psiquiátricos,  sendo que estes eventos pareceram mais frequentes quando a técnica cirúrgica utilizada foi a derivação gástrica em Y de Roux. Este assunto foi abordado pelo Dr. Adriano Segal, psiquiatra do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital das Cínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), durante o XVIII Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), realizado nos dias 18, 19 e 20 de abril, em São Paulo. O médico apresentou dados publicados por diferentes grupos que evidenciam a associação da cirurgia bariátrica com o aumento do risco de suicídio, mas também compartilhou a própria experiência. A ideia defendida pelo Dr. Adriano em sua apresentação no evento, foi que a pergunta correta não é se existe aumento do risco de suicídio depois da cirurgia bariátrica, mas sim se “existe aumento do risco de suicídio depois da cirurgia bariátrica em pacientes adequadamente assistidos”. Na opinião do especialista, é possível que as taxas mais elevadas evidenciem, ao menos em parte, a ausência de psiquiatras nas equipes. Para ler mais sobre o tema, AQUI.


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