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Audiência Pública discute prevenção dos cânceres de mama, colo do útero e próstata

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Rondônia apresenta um dos maiores índices das doenças em todo o Brasil

A Assembleia Legislativa realizou na tarde de quinta-feira (31), Audiência Pública proposta pelos deputados Cássia Muleta (Podemos) e Jair Montes (Avante) para discutir os perigos e prevenções dos cânceres de mama, colo do útero e próstata.

“Agradeço a Deus por estarmos aqui com vocês. Essa é uma doença que está chegando muito rápido para nós e temos que prevenir, fazer nossos exames, fazer audiências, campanhas, principalmente nós do poder público”, afirmou Cássia.

Ela lembrou também que não é só no outubro rosa e novembro azul que o paciente deve se cuidar. “Não é só no outubro rosa e no novembro azul, tem que se cuidar o ano todo. Vamos mais ao médico porque a prevenção é muito importante”.

O deputado Jair Montes disse ser uma honra poder presidir a sessão. “Um motivo de muita honra estarmos aqui, eu na posição de deputado com a deputada Cássia, a segunda vice-presidente e proponente da Audiência”.

Ele falou também sobre a importância do Hospital do Amor de Rondônia. “Se o hospital está aqui é porque, infelizmente, nós temos um índice muito grande de câncer no Estado e diminuir um pouco esse sofrimento de pessoas que tinham de sair daqui para realizar tratamento fora”.

Após apresentação de um vídeo institucional, o médico Lucas Lousada Ferreira, coordenador da oncologia clínica do Hospital do Amor, fez uma palestra explicando o câncer de mama e seus motivos.

O médico detalhou que a partir dos 40 anos, o sistema imunológico do ser humano passa a ficar defasado e não consegue mais acabar com as células do câncer. “A partir dos 40 anos nosso sistema imunológico fica mais caduco e o câncer começa a aparecer”.

Segundo ele, o autoexame é importante, mas não é tão eficaz para reconhecer a doença em seu começo. “Um tumor de 1 cm já tem milhões de células cancerígenas. Um menor é difícil de rastrear apenas com o autoexame, então é preciso fazer a mamografia, pois ela reconhece o tumor quando está com apenas milímetros”.

Os números apresentados pelo médico foram preocupantes: em 2018 o Brasil apresentou 640 mil novos casos. “A perspectiva para os próximos 20 anos é que isso aumente em 60%, sendo que cada 1 a 5 homens terão câncer e 1 a cada 6 mulheres também”.

Apesar das especulações futuras, Lucas garantiu que, através da prevenção, esse aumento pode ser controlado. “É importante ter uma alimentação saudável, exercícios físicos, não fumar e ingerir álcool de forma moderada”.

Ele falou também que mulheres que não amamentaram, demoram a ter filhos, possuem dietas ricas em gordura e carboidratos, meninas que tiveram menarca precoce e obesas e na menopausa tem maior possibilidade de adquirir o câncer.

“Acontece que na gestação, por exemplo, as mulheres baixam o nível de estrogênio e aumentam a progesterona. É a exposição a altos níveis de estrogênio que causa o câncer. Fazer reposição hormonal com constância também não é recomendado”, explicou.

Em Rondônia, o câncer de colo supera o de mama. “Isso é só aqui em Rondônia. Nos demais estados esse índice vem diminuindo”, afirmou Lucas.

Afirmou que casos de câncer no útero podem ser prevenidos através da vacina HPV para jovens, pois é o vírus que desencadeia as células cancerígenas. “Ele demora de 10 a 15 anos para aparecer, então é bastante tempo para ir no médico, descobrir e tratar o vírus antes que ele vire algo maior”.

Sobre o câncer de próstata, o médico afirmou que em Rondônia os números também são altos. Ele explicou a importância do exame do “toque”.

“O câncer de próstata surge em uma região periférica, mais perto do reto. Medir o PSA (substância produzida pela próstata) não garante que você vai ter um resultado correto. É preciso dos dois exames, o do PSA e o toque retal, eles são exames complementares”. Lucas explanou que o tumor na próstata é o segundo maior responsável por mortes no Estado.

Após a palestra o público ouviu o depoimento de Paula, 48 anos, que deu depoimento sobre superação ao câncer de mama. Ela afirmou que não estava no grupo de risco “Eu amamentei, tinha uma alimentação saudável, não bebia, não fumava e aos 37 anos, quando chegou o resultado, eu estava com câncer”.

Segundo seu depoimento, vencer o câncer não é fácil e o apoio da família é fundamental. “É difícil, mas passa. A família tem que estar do lado, os amigos, é de extrema importância. Apesar de tudo, hoje sou uma mulher mais forte, sempre tive muita vontade de viver”.

Preocupação 

O professor doutor Carlos Alberto Paraguassu parabenizou os parlamentares pela proposição da audiência pública. Segundo ele, essa doença tem preocupado a todos.

“É uma doença que tem aparecido de forma sorrateira. Ela não escolhe classe, sexo, gênero, atividade, nem nada. Quem já passou por isso sabe que o paciente sofre muito, mas a família também sofre”, contou.

Ele indicou aos deputados para que, juntos ao Governo do Estado, criem um Conselho Especial de Políticas Públicas para Prevenção do Câncer em Rondônia. “Um conselho que pudesse fazer pesquisa para a saúde. Um conselho consultivo e de assessoria que tenha autonomia para conversar com o ministério da saúde e demais órgãos do setor”. Ele também alertou. Praticamente dois por cento da população de Rondônia está contraindo câncer ao ano, estamos vendo ano a ano, é aí que devemos nos preocupar”.

Para ele, outros fatores em Rondônia como a quantidade de agrotóxico nas comidas e o Ph baixo da água acabam sendo outros fatores decisivos para o aumento da doença na região. “Ph da água aqui é baixo, a água acaba sendo ácida demais para o consumo por conta do nitrato”.

Prevenção 

O ginecologista e coordenador do internato médico da faculdade São Lucas Amado Rahal falou da dificuldade de colocar planos de prevenção em prática. “Às vezes não é porque a pessoa não quer fazer, mas o lugar não tem equipamento, não tem pessoas para atender”.

Ele falou do grande trabalho do Hospital do Amor em Rondônia, principalmente por conta dos altos índices da doença. “O Hospital do Amor tem salvado muitas vidas aqui. Sabemos que estamos em uma situação muito perigosa porque tem um crescimento grande no nosso Estado”.

Ele afirmou que, por conta de diagnósticos tardios, muitas vezes já não há mais chance de cura. “Espalhem isso para amigos, para os vizinhos… fazer a mamografia é muito importante, assim como o exame do toque retal, porque quando a doença já está avançada não podemos fazer nada”.

A deputada Cássia agradeceu as palavras do doutor e falou da dificuldade do sistema de saúde no Estado. “Está muito lendo, as vezes as pessoas morrem sem chegar um resultado do exame. É uma obrigação nossa, do poder público, do Estado, acolher quem precisa, não podemos deixar ninguém de lado, mas acredito que o secretário Fernando Máximo vai ajudar na melhora, é isso que esperamos”.

Outra sobrevivente, Sueli de 61 anos, contou sua história. Ela contou que descobriu seu nódulo através de um autoexame, mas só fez a cirurgia um ano depois por causa de médicos que disseram que seu tumor era benigno.

“Graças a Deus deu tudo certo. Trago essa mensagem na esperança de atingir ao menos uma pessoa, para que procure ajuda. A prevenção é o melhor caminho, pois se eu tivesse tirado lá atrás talvez eu tivesse mais chance de uma sobrevida muito melhor”.

Educação 

A doutora Marilene Penati, que representou a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), parabenizou a proposição e as mulheres guerreiras que contaram suas histórias. Ela ressaltou que é preciso educar a população, desde a juventude, quanto a importância da prevenção. “Hoje o número de faltosos no exame de mama tem um índice elevadíssimo”.

Ela falou que ano passado a Carreta do Amor – carreta do Hospital do Amor que faz exames em diferentes lugares – parou ao lado da maternidade “O índice de pessoas que procuraram foi muito pequeno e isso é preocupante porque estamos diante de doenças que são silenciosas, aparecem de forma avassaladora e deixam muitas sequelas”.

Eduardo Guimarães Borges, representante da Defensoria Pública, parabenizou a Assembleia Legislativa pelo debate com a população. Ele falou que, em questão de saúde, as demandas na Defensoria Pública contra o Estado e o município de Porto Velho são muitas. “Hoje as demandas que temos contra o Estado de Rondônia em saúde é disparato a maior demanda. Não só para com o Estado, mas o município também”.

Para ele é preciso que o poder Legislativo, o Executivo e o Judiciário andem juntos e falou que a prevenção é o melhor não só para a população, mas também para o poder público. “A prevenção no âmbito da saúde realmente é a melhor alternativa, não só por melhorar a qualidade de vida, mas também é mais barato investir na prevenção, então é inteligente isso”.

Lucilene Barros de 37 anos, moradora de Ariquemes, dividiu sua luta. “Eu costumo dizer que o câncer tem cura, mas antes ele vai humilhar quem está passando por isso”.

Ela perdeu uma irmã para o câncer de mama e, cinco anos depois, foi diagnosticada com a mesma doença. “Eu só questiono o porquê o SUS só deixa mulheres acima de 40 anos realizarem a mamografia”. Ela foi diagnosticada com a doença aos 33 anos.

“Eu me sinto honrada de essa Casa de Leis discutir sobre o câncer de mama e por isso é tão importante termos uma deputada mulher. Eu gostaria muito que fosse feito algo realmente para ter a prevenção, porque tem filhos órfãos porque mães estão morrendo cedo”, lamentou.
 
Luta 

Itamar Souza da Silva, coordenador voluntário dos leilões do amor em Rondônia, falou um pouco sobre seu trabalho e a luta de sua mulher contra o câncer. “Nos retornos os médicos têm falado comigo que é muito bom eu estar presente, é muito bom os maridos estarem presentes, porque essa companhia com certeza também faz parte do tratamento das mulheres”.

Luciê também seu depoimento. Emocionada, ela falou de sua luta e da alegria de ter passado pelo câncer de colo no útero e sobrevivido. “Nós estamos aqui lindas e maravilhosas, mas peço a todas as mulheres que nos ouvem que se cuidem, se amem e procurem fazer sempre o preventivo”.

Demandas 

Coordenadora de atenção integral a saúde e representando a Secretaria de Estado da Saúde, Aline dos Anjos Vilela, disse estar feliz em ter comparecido e afirmou que irá levar as demandas ao secretário Fernando Máximo. “Levo muitas anotações para fortalecer o nosso serviço e nos dispomos a ajudar em qualquer coisa para fortalecer e nos unir, fazendo Rondônia brilhar com números menores, e não um alto índice de câncer”.

O deputado Jair Montes destacou celeridade nos repasses do Governo de Rondônia ao Hospital do Amor. “O Hospital do Amor tem se mantido muito pelas doações. O Estado de Rondônia, por parte do Governo, falta um pouco de carinho. Podemos fazer essa situação difícil ser mais amena, é só o Governo não atrasar os repasses para lá”.

A enfermeira Greici Kelly, do Hospital do Amor, falou de sua preocupação quanto à população feminina da capital. “Nós temos 23 carretas do amor, aqui em Rondônia são duas, o que me preocupa é que quando fica em Porto Velho não conseguimos alcançar o número de mulheres, mas quando vai para o interior falta vaga para o exame”.

Para ela, o grande problema ainda é a falta de informação em bairros mais periféricos. “Quero deixar os parabéns a Casa de Leis porque quando a carreta esteve aqui, ou no CPA, ela alcançou a meta, mas quando está nos postos de saúde não atinge. A educação é de fato a palavra chave para tudo”.

Os deputados agradeceram a todos que discursaram e debateram e encaminharam, no fim da Audiência Pública, uma indicação ao Governo do Estado para que seja criado o Conselho Especial de Prevenção e Combate ao Câncer em Rondônia.

Fonte: Decom
Fotos: José Hilde

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