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Até quando usinas vão negar responsabilidade sobre enchentes em Porto Velho?

Desde que foram construídas, usinas de Jirau e Santo Antônio causam estragos e população é quem paga a conta com sofrimento e perdas

Na época a classe política se lambuzou. O conhecido apresentador Everton Leoni, que disputava a prefeitura de Porto Velho, prometeu que “as usinas só usariam mão de obra local” na construção. Mauro Nazif engrossava o coro e Roberto Sobrinho levou a melhor, vencendo o pleito de 2004 e assumindo em 2005. No período, a cidade fervilhava de ONGs, ribeirinhos, índios, seringueiros, ambientalistas e outros bichos que surgem junto com as grandes obras.

Foram feitas inúmeras reuniões, audiências públicas, ações, denúncias, mas nada foi capaz de barrar a construção dos dois maiores empreendimentos do governo petista no Brasil. Quase diariamente eram discutidos e revistos os cálculos de compensação financeira pelos danos que seriam causados ao meio ambiente.

Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira

Porto Velho perdeu a cachoeira de Teotônio, perdeu as corredeiras em Jirau, as ONGs do jeito que chegaram sumiram, assim como sindicatos, índios, e os outros bichos. Restaram os ribeirinhos, que até hoje vivem em condição precária devido as sucessivas enchentes do Madeira. Em 2014 as águas invadiram o centro de Porto Velho chegando ao bairro Areal. Agora em 2019 o cenário se repete. A BR 364 sentido Acre foi elevada, mas está em vias de ser novamente tomada pelas águas, o que deve acontecer nos próximos dias.

Na BR 429, no Araras, já não é possível transitar. Em Humaitá, Amazonas, que integra a bacia hidrográfica do Madeira, dezenas de quilômetros estão embaixo d’água. Questão de dias para o Acre ficar novamente isolado.

Enquanto isso, a população de Porto Velho vive apreensiva, temendo a chegada das chuvas a cada ano.

As usinas, tal qual um marido vendo um vídeo traindo a própria esposa, nega veementemente qualquer responsabilidade sobre o desastre ambiental criado pela intervenção brutal que foi feita no rio Madeira. O espelho d’água de quilômetros que se estende após Nova Mutum, choca qualquer pessoa que já transitou naquele trecho e lembra que um dia ali tinha uma floresta.

As autoridades, atônitas atualmente, não sabem se cobram mais dinheiro, se entram com ações judiciais, se cancelam as licenças. Enquanto os consórcios faturam milhões com a energia gerada em Rondônia, a população amarga uma conta de energia que afeta o bolso até dos mais abastados, que dirá do cidadão comum, que fica entre pagar a conta de energia ou comprar comida.

Precisamos dar um basta nesta situação. É preciso que o legislativo estadual convoque os executivos desses consórcios, que sejam feitos novos acordos, que sejam apresentados estudos concretos sobre até onde pode chegar os prejuízos causados pelas águas. O que não dá é para ficar como estamos, vivendo sobressaltos, pagando contas altíssimas e a cada ano, vendo pessoas perdendo suas casas, seus poucos bens e correndo risco de vida.

As usinas usaram pouquíssima mão de obra local em suas construções, preferindo importar barrageiros de outros estados. Everton Leoni perdeu a eleição e abandonou a política; Nazif foi prefeito e nada fez pela cidade e Roberto Sobrinho mantinha uma empresa que prestava serviços de locação de caçambas à usina de Santo Antônio. E a gente segue pagando a conta…

Sobre o autor

Jornalista, editor de Painel Político, consultoria em comunicação
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