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Após vazamento de áudios, DGPC afasta delegados da DRACO e manda “investigar imprensa”

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Delegados foram transferidos, mas equipe permaneceu. Todos deveriam estar em casa

A Direção Geral da Polícia Civil de Rondônia afastou os delegados titulares da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) do interior após a repercussão dos áudios vazados com falas atribuídas ao delegado Júlio Cézar, titular da delegacia. 

Áudios do delegado comprovariam que a equipe da delegacia manipulou o inquérito da Operação Pau Oco para incriminar o ex-governador Daniel Pereira, que chegou a ser alvo de buscas e apreensões, por determinação do desembargador do Tribunal de Justiça Oudivanil de Marins, que teria sido induzido a erro em sua decisão. Mas, não foi o delegado quem fez as supostas transcrições erradas, portanto, caberia o afastamento de toda a equipe, já que todos sabiam do erro e ninguém reportou aos superiores.

O atual diretor geral da Polícia Civil, Samir Fouad Abboud também determinou que a imprensa fosse investigada. Segundo a nota divulgada pelo diretor, ele  oficiou ao Ministério Público para que “investigue supostas ofensas da imprensa ao delegado geral e diz que encaminhou ao MP prints e áudios sobre reportagens publicadas a respeito do caso. Segundo a interpretação da polícia, foram atribuídos fatos criminosos ao delegado geral. A instituição afirma que serão investigados, inclusive, fatos que ainda vierem a ser divulgados e que possam macular a imagem da instituição e de seus servidores”.

Em um segundo áudio, divulgado na última quinta-feira, o delegado Júlio Cezar envolveu o ex-diretor Geral da Polícia Civil, Eliseu Muller em uma suposta investigação sobre a venda de rifas para melhorias da Academia de Polícia a empresários do interior. Dois homens haviam sido presos e disseram que tinham autorização da polícia para a venda. Em entrevista à SIC TV, o ex-diretor afirmou que tudo foi prestado contas e que não tem nada que desabone sua conduta.

Delegado Júlio Cezar seria autor dos áudios

Também vazou um áudio onde o delegado fala em “prender o presidente do Tribunal de Justiça”, desembargador Walter Waltenberg, sem revelar quais os motivos para isso. Na noite da última quinta-feira, o vice-presidente do TJRO, desembargador Renato Mimessi afirmou que o Tribunal vai “oficiar ao secretário de Defesa para que ele, se houver algum material que evidencie ilícito administrativo seja enviado ao TJRO para que sejam adotadas medidas administrativas e disciplinares a quem quer que seja. Ouça a fala do desembargador:

O presidente do TJRO está em São Paulo, por isso não se pronunciou ainda sobre o episódio.

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“Exageros da imprensa”

Tanto o vice-presidente do TJRO quanto o diretor geral da Polícia Civil falaram sobre “exageros da imprensa” na cobertura do caso. PAINEL POLÍTICO defende a liberdade de expressão e acima de tudo a Constituição Federal, que ampara a livre expressão e atuação da imprensa. Quando se tratam de instituições, que são compostas por pessoas, defendemos que esses elementos sejam afastados e punidos de suas funções. São eles os responsáveis por macular a imagem dessas instituições, e não jornalistas, que nos últimos anos vem sendo alvos de ataques por autoridades e instituições, que quando são flagrados em ilícitos, tratam de tentar desqualificar o trabalho dos jornalistas.

A Direção Geral da Polícia Civil deveria ter afastado de todas as funções e proibir o acesso a prédios da polícia os agentes e delegados que participaram de atos que colocam sob suspeição o trabalho e a honra da instituição. “Investigar a imprensa” não é papel de uma democracia e a polícia deveria se preocupar em defender a liberdade de expressão.

O Tribunal de Justiça de Rondônia historicamente defende a liberdade de expressão e o trabalho da imprensa. Mesmo em ações movidas por insatisfeitos com o trabalho da imprensa, são analisadas com parcimônia por grande parte da magistratura rondoniense. É bom ressaltar que os “erros da imprensa” são passíveis de punições até criminais, já os “erros da polícia” resultam em mortes e privação de liberdade. E sempre quem paga essa conta é o Estado. É preferível errar nas letras que nos gatilhos. Repudiamos totalmente a atitude da Direção Geral da Polícia Civil. Quem for ofendido, que busque a instância adequada para isso, no caso o Poder Judiciário, e não “inquéritos para investigar a conduta da imprensa”.

Abaixo, a nota da Direção Geral da Polícia Civil

A Federação Nacional dos Comunicadores -FENACOM, emitiu nota de repúdio nesta sexta-feira sobre a determinação da Polícia Civil.

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